domingo, 15 de novembro de 2009

trio maravilha

Somos três, as três mulheres do momento.
Envergamos em nós uma magia que ninguém nos pode tirar, que é inalcansável, que é inálgualavel.
Talvez os outros nos invejem, talvez eles queiram ser como nós, talvez eles invejem a certeza e a confiança com que nós nos entre-olhamos, talvez também eles desejem poderem partilhar os abraços que nós partilhamos conhecendo-nos há tão pouco tempo - como nos conhecemos.

Encontrei um espelho gigante onde só a mim encontro reflectida em dois pares de olhos, uns castanhos - tão doces e amargos quanto o chocolate pode ser, e uns pacíficos - tão verdes e azuis quanto o oceano se pode revelar. Eu não falo, nem preciso de falar, para me sentir mais do que ouvida, mais do que acarinhada, aconselhada, apoiada. Eu não preciso de esticar o braço para pedir a caricia nem de abrir a boca para que saibam que vou discursar.
Encontrei algo por quem toda a gente procura e nunca encontra. E não é a primeira vez que encontro, sou uma mulher de sorte.
Desta vez sei que é a sério, desta vez sei que vai durar o tempo que nós quisermos que dure, sei que vai permanecer vivo o tempo que nós nos mantivermos a cultivar o sentimento, a alimentar a terra, a dar de beber à planta.

Encontrei espelhado na alma e no corpo de outras duas mulheres a mulher que sou. E que duas mulheres maravilhosas, magnificas e cheias de mundo para dar que elas são. Sinto-me lisonjeada por me terem deixado neste mundo lésbico que elas forjaram, só quero as acompanhar no talento e nos reflexos.
OI TATXI!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

it is still beating

"we're both looking for something we've been afraid to find" - Lifehouse


Estou cansada, finalmente cansada desta busca desenfreante que nunca me pareceu ter fim. Agora já não é a dor incessante que se apoderou dos meus pés que me impede de caminhar, é uma dor interna, uma desilusão ambígua que não deixa margem para dúvidas. Chegou ao fim. Encontrei o fim. O tão temido e desesperadamente desejado fim.
Quem me ouvir escrever, quem me sentir os pensamentos, quem me tentar integrar para além das letras soltas que aqui se apresentam talvez sinta - por um milésimo segundo - que todas estas palavras são transportes de dor. Enganam-se. Por uma primeira vez o fim é tudo menos o corredor das lágrimas.
Se há algo que me assalta quando penso nele, então esse algo é uma alegria irracional que me preenche num todo, que me arrebenta as costuras com toda a sua imensidão.

É difícil explicar a um vencedor a magia que o fim pode trazer, é difícil explicar a uma pessoa que nunca conheceu o fim de algo a magnitude que o fim traz a uma vida. A um corpo. A uma pessoa. Ao tal algo.

Foi pelo fim desta caminhada que eu dei cada passo, foi pelo fim que teimava em chegar que eu me atrevi sequer a passar a linha da partida. É que, por muito que me tenha esfolado, cheguei ao fim. E o fim traz-me mais recompensas do que uma meta atravessada em primeiro lugar.
É o fim, esta estrada não tem mais caminhos para mim. A partir de agora esfolarei os pés noutro asfalto.


Itálico

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Make a Wish


"Make a wish - dreams will only leave you if you leave them."

Foi naquela noite, há não sei quantos meses atrás, naquele momento em que me agarras-te a mão como se tivesses medo que me perdesse no meio da multidão, como se todas aquelas pessoas me pudessem roubar de ti apesar de ainda nem sequer me teres. Foi a partir desse instante que comecei a desejar um tudo que nunca pensei combinar comigo, um tudo que via como o pólo oposto aquele que sou.
Gostava de perceber o porquê de o teu toque me fazer arder a pele, gostava de entender todas as reacções químicas que ocorrem nas minhas entranhas, gostava de perceber... Às vezes tudo o que precisamos é simplesmente daquele tudo, daquele por que comecei a ansiar naquela noite, o tal tudo que nunca nos pareceu ideal e, no entanto, às vezes esse tudo é tudo aquilo de que precisamos. Precisamente porque não o estamos habituados a querer.

Descubro agora, tanto tempo depois, que um simples toque na mão, umas quantas palavras trocadas, uns olhares aqui e ali já não me bastam. Nada disso mata à fome ao bicho que se instalou dentro de mim, nada disso sacia o apetite sagaz que ele desenvolveu por ti. Preciso de mais, quero mais.

Esqueçam-se as palavras doces e os olhares meigos, falemos de uma verdade acima de qualquer galanteio. Falemos do desejo carnal, da necessidade do toque, do poder das certezas. Falemos das sensações desenfreadas que nos percorrem o corpo num espasmo interminável quase insuportável que temos medo que pare. Mas... agora pensando nisso, pensando nisso mais aprofundadamente só me ocorre uma ideia. De que é que vale todo esse frenesim? Não me vale de nada se não me continuares a incendiar a pele com o teu toque tão suave e tão leve, se não continuarmos com as nossas guerras de palavras, se todas as nossas implicâncias não se mantiverem.
Quero-te inteiro, como ser que és, pelo homem que és. E o pior de tudo ´´e que... bem sei que quero demais.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

o amor é.


"Love life and life will love you back. Love people and they will love you back."
- Arthur Rubinstein

Esta manhã quando acordei, depois de ter aberto os olhos a muito custo, depois de ter sentido o sabor amargo a que o hálito matinal me impregna a boca, deixei a minha mente vaguear por teorias que vou arquivando ao longo dos anos na minha memória.
Divaguei sobre a importância que as pessoas têm para mim em contrapartida com a importância que eu tenho para elas, foi essencialmente este o assunto que estive a presseguir deitada sob os meus lençois desfeitos, esta manhã.
Foi então que me lembrei de uma frase antiga que tinha lido um dia nalgum livro que requisitei na Biblioteca, numa das minhas muitas fases em que passava lá a vida encafuada à procura do próximo monte de papel que me iria revolucionar a vida - eu tinha a certeza!
Tudo o que tu amares por inteiro, sem reservas e com tudo o que és, amar-te-à de volta pelo aquilo que és, sem reservas e por inteiro.
Parece-me agora que esta frase não tem nada bonito, aliás, quase podia afirmar que esta frase limita-se a acalentar esperanças vãs de que o mundo é bonito e de que as pessoas são boas. Mas a verdade é que o mundo já não é bonito e as pessoas já não são boas, foram um dia - num dia que já se findou há muitos anos.

Por isso é que esta manhã, depois de ter acordado, depois de me ter lembrado das pessoas que me rodeiam, depois de me ter concluido apaixonada por elas, depois de ter sentido a ansia a correr nas minhas veias por saber que elas existem, depois de o meu estomago se virar do avesso por saber que é com elas que vou estar daqui a umas horas, cheguei à conclusão que apesar de o mundo já não ser bonito e das pessoas já não serem boas a frase jamais estará assim tão errada. Se oferecer o meu amor à vida porque não irá ela devolver-me o sentimento em todo o seu poder avasalador? Se oferecer o meu amor às pessoas porque não irão elas devolver-mo com calma, dia-a-dia, de uma maneira frenética de compaixão e presença?
E foi isso que encontrei esta manhã nos meus sonhos de olhos abertos,
esperança. Uma esperança que não me deixa párar de acreditar que apesar de o amor não me tocar a mim, pode sempre tocar os outros.

domingo, 5 de julho de 2009

Commitment

Life will just pass you by,
without even say a long goodbye

and now I'm drowning trying to read,
the words you left in the road you lead.


Close your eyes, begin to feel,
right in the end I'll ofer you a deal,
my heart is mine, as long as my mind,
darling I'm begging for a short goodbye

I'll you leave you the rest, just remember,
together we were the best


Commitment, Commitment,
Run away from the words 'I do',
please baby just stay true,

Commitment, Commitment,
Although we were wrong,
I swear I wasn't gone


If you'd say 'I do',
I would just know you wouldn't being you.

So just say goodbye,
So tomorrow I can remember that Once upon time,
I was yours and you were mine.

What you brought into my life,
is easy to remember and difficult to forget,
But no matter how long it takes,
It'll be worth it, I bet.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

55 vontades de seguir em frente ao passo que tudo continua na mesma.

"3 de Julho, quatro da tarde, faz frio lá fora, o ano é dois mil e nova, acho que já te disse a hora."

Ontem cheguei à conclusão desesperada de que a Outra não tinha qualquer poder sobre Ela. Mas, a Outra acabou de descer as escadas e enquanto Ela se encaminha para a cidade das verdades a verdadeira Outra permanece em casa, resguardada das mentiras que Ela lhe impinge dia após dia, hora após hora.

Fascina-me a capacidade que temos de desenvolver uma mentira através de ramos infinitos de uma maneira tão eficaz que até nós acabamos mergulhados numa mentira que tínhamos destinado aos outros. Acabamos por fechar os olhos e acreditar piamente que tudo o que dissemos é verdadeiro, quando na realidade não passa do cenário que montámos para belíssima peça de teatro em que temos passado os nossos dias.

Queria oferecer-lhe um ceptro de clarividência, um que a ajudasse a perceber-se a ela própria, um que lhe permitisse ver para além a pele que lhe cobre o corpo protegendo-a do frio e das feridas dos outros. Gostava que o fantasioso passasse para realidade, já que agora, nem os contos encantados têm finais felizes. Nem a vida os oferece nem as histórias criadas pela mente dos homens. Vivemos numa era em que a felicidade passou de sonho para mito e, os mitos não são alcançáveis como os sonhos mais impossíveis, são irreais e impensáveis, permanecendo vivos apenas pelo fluxo de necessidade que vive connosco.

Foi numa praia abissal, de qualquer das formas, que as vi fundirem-se uma na outra, perderem-se nos aromas uma da outra, roubarem os sentidos uma da outra. Foi numa praia abissal que a mentira de perdeu e a verdade se libertou de vez, apesar de nenhuma o ter percebido de tal forma profundo tinha sido mergulho a que se entregaram.
E agora, agora que a verdade já fugiu e que nenhuma delas a conseguiu agarrar, talvez se tenha perdido para sempre em mentes pobres e inseguras que jamais terão coragem de a partilharem com o mundo. Ou não, e as pessoas que presenciaram a fuga terão o prazer de a relatar às autoridades e providenciar o primeiro final feliz do século.

E viveram felizes para sempre. Fim.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Continuo a precisar de um empurrãozinho.

É só preciso mais um momentinho, so mais um bocadinho por favor.
Será pedir assim tanto apenas mais um segundo, mais uma tentativa fiel ás minhas vontades?
É ansiar por um toque que te pertence só a ti, apenas aquilo que é teu, aquilo que é inviolável. Dias, noites, semanas, de olhos fechados mais abertos do que nunca, de sonos muito mais do que mal passados, de sonhos muito mais do que irreais, e uma especie de revolta das borboletas que não me deixa em paz. Simplesmente tornou-se incapaz de me abandonar, impossivel de suportar. És tu.

Podem gritar aos sete ventos todas as mil e uma virtudes que a Outra tem, podem-me esfregar na cara mil fotografias que a outra tirou, podem-me fazer apaixonar pelas palavras que a Outra disse, que a Outra pensou, mas agora já é tarde; eu já estou mais do que apaixonada pelas virtudes que desenterraste do meu ámago, pelas fotografias que tirámos juntas, pelas palavras que me fazes dizer, pelas palavras que me fazes pensar. Já passou a hora em que as músicas que não ouviamos juntas me podiam impedir de continuar a caminhar num caminho incerto, mais do que qualquer outro, essa hora já passou. O lusco-fusco ficou para trás. A hora reservada para todas as despedidas ficou presa no terminal do aeroporto e todo os segundos que me restam agora respiram apenas com a funçao de te voltar a tocar, de te voltar a sentir. Desta maneira lamechas ou de outra, carinhosa ou violentamente, a minha escolha está mais do que feita.

Nem que alguém o queira escrever a sangue no meu peito, és tu.
E a Outra é melhor? Tudo bem, ainda bem que o acham. Mas eu sou melhor contigo e, nem que fosse só por isso (apesar de ser por muito mais), tu tornaste a melhor de todas as Outras.

para a Joana, da Rita, por mim, para ti.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Is that the question?

Well Painted, Left Alone...Image by bsamantir via Flickr

Left Alone?
I'm not sure about anything I feel. Não tenho certezas de nada.
Terei sido deixada sozinha? As pessoas terão desaparecido para sempre?

Sinto-me tão abandonada quanto uma casa antiga a implorar por restauro, sinto-me tão desnecessária como um grafiti idiota que estraga o esplendor da casa antiga que merece todo o cuidado e dedicação. Sinto-me incapaz e impotente pura e simplesmente porque para ti nunca vali a pena.

I've been forever left alone... But... do I diserve to be?
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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Daqui a 31 minutos

Daqui a trinta e um minutos vou-me tornar numa pessoa melhor? Vou-me tornar numa pessoa maior? Será?
Não, não será, a menos que eu queira que assim seja.
Daqui trinta e um minutos passou-se mais um ano, apenas mais um, em que tu, para variar, não disseste nada, não deste sinais de vida, não apareceste, não te importaste. Não é fantástico como continuo a contar todos os anos?
É a minha vez de te desejar um Feliz Aniversário de Irresponsabilidade, papá.

Beijinhos, e não te adoro.

sábado, 20 de junho de 2009

Póquer.

Está uma possivel sequência em cima da mesa. Não faço a minima ideia de qual será o próximo passo do adversário, não tenho a certeza se vale a pena permanecer em jogo. Será demasiado tarde para um fold apressado?
Raise. E sobe-se a aposta, pouco mais e um All In será proclamado pela mesa, mesmo que não queira o orgulho impede-me de baixar a cabeça e seguir em frente com os restos mortais de cartas que possivelmente não me oferecem vitória nenhuma.

Valerá a pena continuar em jogo quando a vitória não é nem nunca será minha.

E depois ouvem-se palavras vãs, pelo menos aos meus ouvidos. Sou uma pessoa perdida dentro de mim própria que procuro por respostas que nunca ninguém descobriu. Sou uma pessoa complexa que, tal como Fernando Pessoa um dia disse, sonho para dentro, e é isso que me faz permancer viva. Quer os sonhos se tornem ou não realidade pelo menos tive oportunidade se sonhar e viver aquilo que não consegui ter nos segundos em que os meus olhos estiveram fechados.

"I never thought you wanted for me to stay, so I left you with the girls that came your way"

domingo, 14 de junho de 2009

A morte é curta para quem não viveu direito.

Um dia quando morrer a única coisa que vou deixar para trás seram memórias vazias de uma vida que, muito provavelmente, existiu sem sentido.
A única coisa que vai marcar a minha passagem por aqui seram as lembranças que os que me conheceram guardam e insistem em não esquecer.
São as pessoas, e apenas as pessoas, que possuem o poder de eternizar os seres humanos, são os toques, os olhares, os momentos que fazem com que Alguém se torne eterno - nem que apenas para a existência de algo que respire. ´
Quando me tornar terra e servir de alimento para outros seres talvez me limite a desaparecer para sempre, tal e qual Elvis Presley com o mito da sua ilha deserta em que vive feliz, ninguém vai estar completamente certo da minha morte. Apenas do meu desaparecimento. Por outro lado, se me eternizarem em palavras e imagens difusas, talvez viva vampiricamente entre os vivos fazendo-os recordar todos os dias que já existi e que a minha existência valeu para alguma coisa.

Se não, quem se importará?

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Sophie Caroline

A discriminação é algo que já nos acompanha há muitos séculos e que podemos distinguir em diversas “categorias” diferentes. Numa dessas “categorias” encontram-se as mulheres, encontram-se a discriminação para com as Mulheres.
Em todos os cantos do mundo, não importa em que beco ou em que viela, se procurarmos, é garantido que vamos encontrar mulheres discriminadas, mulheres que sofrem disto e daquilo todos os dias sem que ninguém ouça os seus berros nos momentos de aperto.
Não existem palavras para descrever a revolta que nos assalta, a nós também mulheres, quando se falam daquelas “fêmeas” que vivem nos países do Oriente, aquelas – sabe? – Que os maridos tratam como se fossem – cães! – Inferiores. É tão difícil aceitar que os direitos que nós damos por adquiridos não passam de mais do que um sonho para todas elas, é impossível conformarmo-nos com uma realidade tão absurda e tão injusta – é assim tão difícil perceber que somos todos iguais?

Elas vivem o dia-a-dia numa adoração submissa dos seus maridos, elas aceitam qualquer palavra que eles digam, elas vivem presas dentro de uma boneca sem poder fazer nada, sem poder pensar, sem poder falar, sem poder ser. Não podem sair à rua sem a presença de um homem da família, não podem sair à rua com a cabeça destapada, não podem dizer o que pensam, não podem votar, não podem argumentar, é impensável revelar o que realmente são. Mas, o problema é que este representa apenas um dos padrões de discriminação de que as mulheres sofrem. Ainda há aquelas que vivem em países ou comunidades que consideram que o único papel da mulher e o único sentido da sua vida é procriar – tal e qual animais – e cuidar do que eles chamam de lar.

Mulheres a que lhes é retirado o hímen à nascença porque não são dignas – supostamente – de sentir prazer; mulheres que não têm direito a frequentar a escola; mulheres a que não é oferecida a oportunidade de trabalhar, pois estão destinadas a ser mãe; mulheres que recebem menos do que os homens que trabalham no mesmo posto, na mesma empresa, com a mesma idade são exemplos de mulheres discriminadas que apenas erraram na lotaria genética.

É um erro terem nascido? Ou o único erro aqui presente é as provas que têm de ultrapassar, os obstáculos que a sociedade lhes impõe, as limitações que a humanidade lhes oferece?
Tenho apenas mais uma pergunta, uma pergunta final: Porque é que os homens sentem necessidade de controlar as mulheres, porque é que sentem necessidade de as inferiorizar? Somos na realidade assim tão maiores?

Por tudo isto, por todas as mulheres que sofrem de maus tratos e abusos, por todas as mulheres que vivem numa cave por medo, por todas as mulheres a que oportunidade de ser alguém foi roubada, é que eu defendo os nossos direitos – aqueles que eu dou como básicos e que elas desejam desesperadamente. A igualdade não necessita de ser provada cientificamente, todos nós a conseguirmos encarar todos os dias, basta que não andemos de olhos fechados.

Somos todos iguais.

domingo, 24 de maio de 2009

Battle For The Sun - Placebo

I, I, I, will battle for the sun, sun, sun.
And I, I, I wont stop until I'm done, done, done.
You, you, you are getting in the way, way, way.
And I, I, I have nothing left to say, say, say.

I, I, I, I, I will brush off all the dirt, dirt, dirt, dirt, dirt, dirt, dirt.
And I, I, I, I, I will pretend it didn't hurt, hurt, hurt, hurt, hurt, hurt, hurt, hurt.
You, you, you, you, you, are a black and heavy weight, weight, weight, weight, weight, weight, weight.
And I, I, I, I, I, will not participate, pate, pate, pate, pate, pate, pate.

Dream brother, my killer, my lover.
Dream brother, my killer, my lover.

I, I, I will battle for the sun, sun, sun, sun.
Cause I, I, I, have stared down the barrel of a gun, gun, gun, gun, gun, gun, gun.
No fun, you, you, you, you, you are a cheap and nasty fake, fake, fake, fake, fake, fake, fake.
And I, I, I, I, I am the bones you couldnt break, break, break, break, break, break, break, break!

Dream brother, my killer, my lover.
Dream brother, my killer, my lover.

Dream brother, my killer, my lover.
Dream brother, my killer, my lover.
Dream brother, my killer, my lover.
Dream brother, my killer, my lover.

I, I, I will battle for the sun.

sábado, 23 de maio de 2009

Dead Combo - Definição Musical.

Uma música não precisa de palavras para fazer chorar. Ela geme sem medos o vocabulário primitivo, apodera-se da magia das mãos. Tudo o que é lançado para a fogueira - para aquela chama imensa.
O que é a música senão o apogeu de todas as linguagens, o ferro fundido de todos os gritos por socorro?!
Sem sinais ou pontuação, as guitarras gritam, os contra-baixos enlouquecem. As mãos dos Homens, submissas à pureza interna que se instala, abrem as portas para uma verdade que só conhece lugar no Mundo quando a música é tocada. Quando as palavras não encontram maneira de agir para mentir desavergonhadamente, como já é habitual.
Mata e Chora.
Numa luta pelas vogais, pelos solos, que tomam conta do palco das mentes, vasculham sozinhas o que nenhum outro poeta desvendou, mundos que nenhum outro poeta conheceu - as notas simbólicas em todo o seu esplendor fecham os olhos e provam a glória.
A música é portanto, ...
É um pedido de loucura, um desespero por inconsciência; é uma busca pelo primitivo, é a entrega de tudo o que sabemos em troca da magia necessária para a criar - a Ela, à música.
A música enaltece as virtudes e mascara os defeitos em vontades ambiciosas. O que a música esconde até ao mar engana. O que a música aclama todos desejamos possuir.
Um corpo sem carne, sem peso - e não é o peso que nos impede de sorrir, e não é ele que nos impede de voar? A música aclama pela alma suave mais material do que osso, onde o que sentimos é matéria musical.
E a música... a música sente-se, faz-se sentir como uma droga. Envenena-nos aos poucos, apoderando-se vagarosamente de cada parte do nosso corpo. Somos assaltados por espasmos incontrolados, por rusgas à nossa memória,por apreensões à nossa alma.
A música toma o lugar de Deus, a música toma-nos como um todo. Pelo que somos, em carne e osso, esquecendo todo o ruído que nos envolve.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Deixa-me falar-te de mim.

São dezasseis anos de lamurias sem fundamento. São séculos de atraso para com o Mundo. São eras de vergonha para um país que um dia brilhou na glória de ser o primeiro.
São quinze anos, dez meses e vinte e nove dias de uma vida replecta de tudo sem nada em concreto que a preencha.
Não é impressionante que a única coisa que reconheço ao fim de tanto tempo é que tudo o que éramos, o tempo apagou, e que, tudo o que o tempo não conseguiu apagar o Homem destruíu?

É uma existência de vergonha. (não minha mas da Humanidade)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

que exagero

Torno-me numa pessoa que não conheço, torno-me num monstro, torno-me num criminoso.
Não sei como é que acontece, não sei porque é que acontece. Só sei que sou invadida por desejos repugnantes, por ansiedades que me perturbam, por uma raiva que eu nem sabia que tinha.
Foi isto que a lotaria genérica me reservou? Uma existência comum aliada a uma personalidade psicopata?

Credo, que hipocôndriaca.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Sinceridade para com quem a merece. (i)

E sim, para ser sincera, o passado também me consome durante todos os minutos em que premito que se instale no presente.
E sim, para ser sincera, falar dele também faz com que as lágrimas se aflorem nos meus olhos.
E sim, para ser sincera, o que magoa mais também é o que ele não faz - muito mais do que aquilo que fez.
E sim, para ser sincera, é tudo uma questão de confiança e utilidade.
E sim, para ser sincera, tudo se resume a querer ser especial.

Já és, para ser sincera.

what's up Arizona? are you liking the rain?

É uma questão de escolher as palavras certas. De não dizer o que deve permanecer em silêncio. De não revelar motivos que devem permanecer ocultos, escondidos em tréguas rodeadas por brumas.
É tudo por causa do primeiro passo, tem tudo a ver com isso. Com abdicar da teimosia e aceitar - por uma vez que seja - que nem tudo pode ser segundo os nossos parametros, as nossas preferências.
A questão está em abrir a boca e começar a falar. Por mais simples que seja e por muito dificil que pareça. Por muito que doa, o problema resume-se em abrir as portas e não ter medo. Não recear, por um segundo que seja. Em acreditar, por uns instantes, e falar.
Deixar que outros conheçam os nossos ensejos, que acalentem juntamente com os nossos sonhos, que temam juntamente com os nossos medos. É um passo fácil, bastante pequenino, que significa tudo de vez enquando.
Não que seja pouco constragedor, ou envergonhoso deixar que outros nos sequem as lágrimas, mas pode ser tudo para que as coisas funcionem e floresçam para algo maior - para algo especial.

Quando te perguntarem se estás bem, o pequeno grande passo resume-se a dizeres a verdade - por muito que não seja conveniente - Não, está tudo mal.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Ritinha

A vermelho, para que se leia bem.
A azul, para que todos percebam.
A laranja, para que não restem dúvidas.
A verde, para que todos saibam que é verdade.
A amarelo, para provar que somos humanos.
A roxo, porque todos valemos a pena.
A preto, porque há coisas que nunca deviam ser reveladas.
A branco, porque sim.

Mil e um conselhos que te poderia dar, mil e uma respostas, mas nenhuma estaria tão certa quanto o teu arrependimento. O que é que importa se erras-te? Todos erramos um dia. Também ela. Também ele,. Também nós.

Esquece, abre os olhos, vamos fazer com que valha a pena.

Não sabia que isso existia. O quê? O Dia da mãe?

É uma questão de opiniões, de pontos de vista. Todos vê, a questão de uma maneira diferente, ninguém concorda totalmente com ninguém. Somos todos bichos independentes que pouco se preocupam com o que os outros pensam. Se nós achamos que sim, nós estamos certos.

Amanhã, Não! Depois de amanhã é dia da mãe. Pergunto-me porque razão defendo que o dia do pai deveria ser extinguido e o dia da mãe alargado por todos os outros dias 3 do ano. Talvez porque a mãe, aquela mulher gigante com muita ou pouco delicadeza, esteve presente (quer quisesse ou não), logo no primeiro momento. No primeiro instante de dificuldade, juntamente com o primeiro obstáculo que enfrentamos : Como o ar magoa quando respirar é a única necessidade existente, constante, indispensável.
O dia da mãe não poderia ser extinguido por isso, pela ligação invisível por vezes desfeita em pedaços, que nos conecta àquela mulher que esteve lá da primeira vez - mesmo que essa tenha sido a única.

Mas as pessoas são assim, pensam o que querem, defendem o que querem e, por acharem que o que defendem está certo pouco se importa com o que os outros acreditam.
Por isso, que seja um dia só, apenas um dia 3, mas que valha por todos os outros em que as nossas opiniões lutam em guerra quente - já que de fria não tem nada - e que simbolize todos os momentos além do primeiro em que tu decidiste sofrer mais um pouco só para eu não me sentir sozinha.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Decode.


Há coisas que não valem a pena existir.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Ele disse.

"és tipo um labirinto em linha recta.
o que eu tou a pensar
é num labirinto mesmo em que o principio e o fim tão mm ligado por uma linha recta
e consegues mesmo chegar ao fim só a andar para a frente
mas olhas para os lados e há bue caminhos e curvas e contra-curvas
e não consegues não te perder, mesmo que só tenhas de andar para a frente, e mesmo que saibas disso
percebeste?"


Serei? Serei assim tão fácil e complicada ao mesmo tempo? Serei?

domingo, 26 de abril de 2009

MJ (beijo à homem-aranha)

Hoje as palavras fugiram de mim, tiveram medo de mim, refugiaram-se longe de mim. E logo hoje que tenho tanto para dizer. São coisas que acontecem.

Não sei muito bem como começar. Não acredito em Deus, não acredito no destino, não acredito em espíritos, acredito em pessoas. E é por acreditar em pessoas que estou a tentar ao máximo alcançar as minhas palavras de novo, só para poder dizer o quanto as pessoas podem valer a pena.

Isto é um pedido frustrado, exasperado, impossível, a uma pessoa que se vê no espelho quando mais ninguém a consegue ver, a uma pessoa que sente e que quase ninguém se dá ao trabalho de a sentir.
Temo que tenha vivido ofuscada por aquilo que os reflexos me mostram, temo que a luz que nos espelha me tenha impedido de ver paisagens que valem a pena. Temo que em todas as minhas caminhadas não tenha reparado em casas lindíssimas porque a vegetação intensa as ocultava. Temo, sou humana.
É o medo que me impele a escrever hoje, é a minha crença nas pessoas - simplesmente por existirem -, é a minha fé na vida e nas oportunidades.
Conheço uns quadros maravilhosos, daqueles que logo à primeira vista nos prendem o olhar, daqueles que se prendem como uma lapa à nossa memória, daqueles que nos fascinam com a sua grandiosidade. Felizmente, conheço também o tempo e tudo de bom ele nos pode oferecer. O arrependimento, a mudança, a observação que nos fomenta, aquilo que nos mostra depois de uns segundos de atenção, a beleza que nos oferece por termos paciência. O tempo mostrou-me quadros que à primeira vista parecem vindos do lixo, que à primeira vista não passam de pinceladas mal dadas, de traços mal conseguidos, de opiniões mal formadas. São esses quadros que não me encantam num segundo que guardarei para sempre, são esses quadros que criam a arte na sua magnificência, são esses quadros que fazem valer a pena o tempo. Esses são os quadros misticos, repletos de significado, guardiões de sentimentos, são esses quadros da vida.
Como estes segundos quadros, existem segundas pessoas que só o tempo deixa conhecer, que só o tempo faz com que valam a pena.
MJ, nunca me demorei a observar-te, nunca deixei o tempo fazer o seu papel. Dás-me licença?

Companhia habitual

Lembro-me perfeitamente porque é que comecei a fumar. Andava chateada com o mundo - como todos nós andamos nalguma altura entre os 13 e os 19 - e passava a maior parte do meu tempo sozinha. Sozinha, completamente sozinha, para onde quer que as pessoas fossem, para onde quer que os meus amigos fossem, era para onde eu decidia não ir. Era o destino impensável.
Por isso, quando comecei a fumar, era só uma companhia. Detestava estar parada no mesmo sitio sem fazer nada, ali de pé a olhar para o nada, sem falar com ninguém, sem estar à espera de ninguém, sem preposito algum. Se estivesse a fumar, estava ali porque estava a fumar, não me sentia ridícula porque tinha o cigarro bem apertado entre os dedos e porque ninguém ia comentar a figura de parva que estava ali a fazer - como se a esperar que o tempo parasse.
Agora, depois de uns belos e longos meses sempre acompanhada, cheguei à conclusão que, apesar de fazer pessimamente mal a todo o meu organismo, o cigarro é muito melhor companhia do que qualquer outro ser humano. Não preciso de me preocupar com ele, é substituível, não perde tempo a mentir-me (diz-me desde o inicio : Vou matar-te - é certo, todos o conseguimos ver bem escarrapachado na frente ou nas traseiras de qualquer maço), não fala, ouve tudo o que digo, não me critica e está sempre lá.
O cigarro não passa realmente de uma companhia, de um suporte que me impede de sentir ridícula por não estar a fazer nada e, agora, de uma presença fiel e diária que nunca chega atrasado aos nossos encontros rotineiros.

Quando todas as minhas companhias forem como o cigarro, deixo de fumar. Até lá, vou-me contentando com a única que me faz recusar o cilindro e me consegue fazer sorrir.
Quem tem uma melhor amiga tem tudo.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Matar Mentiras

Encontro mentiras em toda a parte, para onde quer que olhe existe a marca da sua passagem. Nas ruas, nas casas, nos carros, nas árvores, nos passeios, nas pessoas.
Devia incomodar-me muito mais do que incomoda realmente mas, a verdade é que muito sinceramente, não quero saber. Concentro-me em viver na minha verdade, no meio pedacinho de certezas, contento-me em sorver as minhas pausas de cinco minutos, em alimentar as minhas palavras de estimação - quando não estão de greve - e ler, ler este Mundo e o outro, ler Mundos humanos, ler Mundos vampiros, ler todos os Mundos.
Todos mentimos no final de contas e ninguem se incomoda (realmente), por isso, vou continuar a ignorar os registos que alguém escreveu por aí, as cicatrizes da mentira que enfrento todos os dias, vou fazer como todos e fechar os olhos.
Descobri, no entanto, como resultado desta minha pesquisa, que pelo menos uma das coisas que fazemos não é mentira. O sexo é completamente verdadeiro, o sexo expulsa as incertezas simplesmente por estar a acontecer, o sexo é claro.
No sexo a mentira não tem lugar, um não é sempre um não. É que na hora h, meus companheiros, sendo bem feito e completamente satisfatório, ninguém se preocupa em dizer 'não' quando quer dizer 'sim', ninguém incomoda a mentir quando tudo o resto é real. Se não há orgasmo, não há fingimento que se safe, é que não há parceiro que não perceba. Há parceiro que não quer perceber.
Encontro a mentira em toda a parte e por isso, nesta minha pausa de cinco minutos tão sôfrega de tempo e de palavras, decidi escrever sobre as certezas que guardo e afirmar que pouco me importa se ela existe ou não, desde que o mar e o que sou continuem a ser verdadeiros.

E assim estou a ser egoísta, bem sei.

P.S. Se encontrarem alguma parecência com o primeiro paragrafo e uma musica dos Ornatos Violeta, é porque a letra dessa musica é linda e me é mais do que muito.

Entrei na loja errada.


Época de Saldos, estou desesperada por uma carteira nova, entro em todas as lojas que me aparecem à frente. Tem de ser, tenho de encontrar a carteira ideal.
Já entrei em mais de mil e uma lojas mas nenhuma delas tem o que procuro. Nenhuma delas tem aquela carteira, aquela de que ando à procura. É impressionante, existem tantas carteiras mas nunca gosto de nenhuma. Há sempre alguma coisa que não está bem, ou a cor, ou as alças, ou os desenhos, ou o coraçãozinho no canto direito. Nunca, nunca, são como quero. Nunca me 'servem'.
Tenho caminhado pelas cidades e cada vez que vejo uma montra paro, olho para dentro, vasculho as prateleiras pelo lado de fora e chego à conclusão habitual. Nada. Nada de nada, nada que me chame à atenção, nada que valha a pena. Continuo a caminhar mais um bocadinho, lá vejo uma rapariga passar com uma carteira de que eu gostaria mas, lá está, já é dela, não pode ser minha.
Preciso realmente de uma carteira por isso é impossivel párar de procurar, tenho de ter um lugar onde guardar as minhas tralhas, esconder os meus segredos, um lugar para trazer as minhas canetas e o meu caderno. A questão é que todas as carteiras que tenho comprado se rasgam ou perdem-se nalgum sitio em que me esqueço delas. Nunca duram o tempo suficiente para me afeiçoar a elas e usar até ficarem coçadas. Já vai das sortes.
No entanto no outro dia vi a carteira perfeita, a chama da esperança voltou a acender-se, era tão linda - era ideal! Entrei dentro da loja e fui vê-la melhor, magnifica! Peguei na etiqueta e vi o preço - demasiado - era demasiado cara para uma carteira. Era impossível tê-la, impossível consegui-la.
Mais uma vez, desde que ando a tentar comprar uma carteira, apaixonei-me pela 'mala' que não posso ter, entrei na loja errada. É sempre assim, sempre que encontro a carteira certa, ela simplesmente não está destinada a ser minha. As Richard once said

Não preciso de Dior, Gucci ou D&G, uma carteira da feira chegava, desde que fosse a ideal e pudesse ser minha.
Para a Mónica

terça-feira, 21 de abril de 2009

Arrancar-te de Mim.

São tantas fotografias, tantas imagens. Quero esquecer a todo o custo todos os momentos que passamos juntos. Quero esquecer o teu toque, as tuas palavras, o teu olhar. Quero-te esquecer de todo. Quero arrancar a tua memória do meu corpo.
E o pior é que nada disto é verdade.
Esquecer-te é a fuga cobarde, é a opção errada, é um caminho segura para lágrimas fáceis. Não quero esquecer nem um minuto, no entanto quero apagar-te da minha memória. Fazer com que pare de doer, fazer com que as feridas se sarem e não se voltem a abrir.
Mas são tantas as fotografias e tantas as imagens que esquecer-te transforma-se no céu e, para mim, o céu continua inalcançável.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Mais uma de tinto.

-Mais uma do que for desde que tenha álcool.
Dão-lhe um copo pequenino para a mão com um veneno vermelho lá dentro que lhe queima a garganta assim que engole o liquido viscoso. Pousa o na mesa e volta a soltar um pedido quase silencioso:
-Mais uma ronda!
O Homem do balcão pouco se importa com a figura que ele está a fazer e muito menos com o estado em que ele vai ficar. Mexe nas garrafas e entrega-lhe outro copo. Desta vez o veneno é verde mas sabe-lhe igualmente a fogo, queima-o tanto como o primeiro, detrói-o tanto como o primeiro.
Repete o mesmo gesto de à bocado, pousa o copo violentamente e grunhe umas palavras incompreensíveis mas bastante claras aos olhos experientes do empregado.
Mais uma vez, o empregado, o Homem do balcão, atende o seu pedido e continua sem se preocupar minimamente. Afinal, ele já tinha chegado ali naquele estado e se começar a fazer merda a solução é simples - rua!
Ele bebe de novo o conteúdo do terceiro copo de um só trago numa espécie de sede sôfrega tão digna de bêbado necessitado. As forças fogem-lhe, perde totalmente a linha de pensamentos, deixa de sentir as pernas e cai estatelado no chão.

Eu estou a ver mas resolvi não fazer nada. Ele que caia sozinho, já lhe dei água vezes suficientes.

domingo, 19 de abril de 2009

Poço Gigante.

Sou um poço gigante, um a um, todos os aldeões vêm buscar a sua porção de água diária. Não se preocupam com a possibilidade de o poço (que sou) secar já que parece existir água em muita abundância, não têm medo de cair dentro do poço (que sou) porque ele (eu) parece bastante seguro.
Sinto-me como um poço Toda a gente vem buscar água, toda a gente despeja o que não quer dentro de mim, mas ninguém me dá nada em troca e ninguém se preocupa com a minha possível seca.
É difícil ser-se um poço gigante, digo já. As pessoas confiam-nos a sua vida, esperam que sejamos nós a sustentá-la, a dar-lhes a água que é fundamental à sua existência. Não é fantástico o poder que os poços contêm?!
Dispenso os segredos se me forem roubar toda a energia que me resta, dispenso a confiança se não a receber em troca.
É um cliché dizer que estou farta de ser um poço profundo, mas estou e por isso vou dizê-lo de qualquer das formas.

Cheguei agora a um ponto tão grave, que já sequei. E tu nem sequer reparaste na minha queda.

P.s. Para as pessoas inteligentes, como 'ele' diz.

Ten.

Não tinha assim tantas opções. Ou me atirava de cabeça ou sentava-me no chão à espera, à espera que o tempo passasse sem deixar grandes marcas da sua presença.
Não consegui optar por nenhuma delas, nenhuma me soou suficientemente correcta para pôr em prática e, por isso escolhi outra. Outra que não se tinha apresentado como possível até acontecer.
Comecei a caminhar pelo quarto e reparei em todas as histórias que a minha parede conta, em todas as lágrimas que lá estão cravejadas, em todas as pessoas que ali estão eternizadas. Nunca me canso de olhar para a minha parede, cada vez que o faço ela conta-me histórias diferentes, ela é um mundo de oportunidades repleto de imaginação. Ela dita o passado, aviva a memória e impede-me de esquecer aquilo que merece realmente nunca ser esquecido.
Continuei a caminhar pelo quarto, totalmente perdida e alheia nos meus pensamentos, o chão estava demasiado frio ao meu toque, incomodava-me. Sentei-me no gigante que guarda a minha janela, um abismo negro que acolhe o meu corpo num braço cada vez que me deixo lá afundar. Senti uma resposta a usurpar as dúvidas que me dominavam, senti-a rastejar até tomar posse de tudo, senti a certeza a instalar-se e soube que esta era a opção correcta, a escolha que não existia e que tinha criado.
Não precisava nem de me atirar de cabeça nem de me sentar no chão à espera que o tempo se fizesse ouvir e desgastasse tudo o que rodeia - podia simplesmente fechar os olhos e deixar-me guiar pelas histórias que a alma branca que eu ergui me tem para contar até encontrar a solução para o meu problema. Esta era a opção certa, tinha a certeza.
Voltei-me a levantar e retornei à minha caminhada consecutiva de três passos, para a direita - para a esquerda. Os meus pés continuavam a sentir o chão realmente frio - cada vez mais frio até, com o passar do tempo - mas agora não me incomodava realmente. As soluções que começavam a submergir faziam com que aquele gelo insuportável se tornasse num factor secundário, ignorável.
Percebi então, quando o rádio começou a soltar uma melodia conhecida, qual era a resposta - a verdadeira e final.
Thoughts arrive like butterflies, Oh he don't know, so he chases them away - a resposta esteve sempre ali, a minha cegueira e necessidade obscura de a encontrar é que a tornou invisível.

Have I got a little story for you - a minha parede não se tinha movido, sempre ali estivera a contar-me histórias, a história da resposta.
Olhei a gigante do Árctico com mais atenção e li num dos papeis ali colados, rabiscado com a minha letra tão familiar: Diz que não. - E pronto, ali estava ela, a resposta de que eu andava à procura.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Apenas mais uma.

A chuva impiedosa e incessante não se cansava de castigar as ruas, ou pelo menos era o que lhe parecia da janela do seu quarto. Apetecia-lhe sair de casa e deixar para trás todas as suas angústias, mas o dia não parecia estar a concordar com ele e a água gotejante trancara-o dentro das muralhas.
Afastou-se da cama e foi ligar a aparelhagem, pelo menos a música toldava os seus pensamentos e impedia-os para uma direcção apenas, a que a melodia lhe ditava. Tinha quinze anos e a maior vontade de fugir que qualquer adolescente pode provar. Irritava-o os olhares que os infelizes lhe lançavam na escola, irritava-lhe o facto de não ser – nem estar perto disso – o filho que os seus pais esperavam que fosse, irritava-lhe a ideia de repugnância que fazia aparecer na cara de qualquer rapariga que lhe oferecesse um olhar durante mais do que um segundo. Tudo naquela terra o irritava, inclusive o facto de ter de pertencer ali, irrefutavelmente. Por muito que nos contem as tretas do livre arbítrio ninguém esta à espera que o herdeiro da família mais prestigiosa da cidade abandone a herança por um palco, especialmente um filho barão.
Já tinha perdido a conta às vezes que lhe tinham repetido o quão medíocre era a música, mas sinceramente continuava sem conseguir perceber como é que aqueles idiotas não conseguiam sentir a melodia, viver a canção. Seria assim tão difícil de acreditar que eram os acordes que o faziam viver?
Sentou-se outra vez à beira da janela e rabiscou no caderno as primeiras palavras que lhe afloraram à mente. “Perdido, esquecido pelos próprios mandamentos da existência”, como se fizessem muito sentido para variar. Escrever para quê? Nunca desejara tanto algo e nunca algo lhe fora tão difícil de alcançar. As palavras não fluíam, as letras recusavam-se a aparecer, quão difícil poderia ser riscar aquilo que se sente num acto fugaz e espontâneo? Muito, estava a aprender.
Olhou lá para fora a tempo de ver o aceno que Mikey lhe acabava de fazer, sorriu em retorno e voltou a olhar para o caderno. Páginas brancas cheias de riscos e tentativas falhadas de desenhar o que se passava dentro de si. Mais valia esquecer e parar de tentar. Fechou o caderno e desligou a aparelhagem. Nestas alturas nem a música o podia salvar de cair no buraco negro das lamentações. Desceu as escadas, vestiu o casaco e saiu finalmente para a chuva que há tanto o chamava. Pelo menos haviam aquelas sensações únicas que conseguiam fazer da vida fantástica pela simples existência de momentos como aqueles. A água molhou-lhe o rosto e lavou-lhe o cansaço que se começava a instalar. Detestava ter de admitir mas, três noites com três horas de sono não eram propriamente parte de uma rotina agradável e feliz.
Começou a caminhar livremente pela rua, não estava à procura de nada mas se encontrasse uma resposta era capaz de ir à missa no próximo Domingo. Triste, mas verdadeiro, religião só em troca de algo, e algo muito bom. Era assim que as coisas funcionavam consigo. Uma guitarra - um mês de idas à igreja, um baixo - três confissões, uma oportunidade para se ir embora - crisma.

5 de Fevereiro de 2009, 20:39, Quarto, Sala?, Oleiros Paradise


Inicio de mais uma das minhas histórias que nunca cheguei a acabar.

Destino ? Não.

"Eu quero saber. quero saber um pouco de tudo o que ainda não sei.

Não há nada que eu possa fazer para tornar as coisas mais simples. O Mundo continua a acabar. As familias que não têm dinheiro continuam a morrer à fome. As criançãs sem pais continuam orfãs. Os que choram continuam desgostosos.
O que é que importam as tentativas que eu faço se tudo o que descubro é desacreditado uns segundos depois de o ter encontrado? Como é que é possivel que apesar de continuar a criar novos argumentos e a fundamentar todas as minhas teorias, os que eu quero que me ouçam continuam surdos? Estou farta de tentar, tentar, tentar sem obter qualquer resultados, nem sequer um simples sinal.
Se calhar já está na hora de continuar em frente. De párar de pensar no Passado e começar a contruir o Futuro, que eu tão incertamente hei-de ter de trilhar.
Não faço a minima ideia de como continuar sem secar as lágrimas que teimam em soltar-se da prisão em que as mantenho. Querer é poder, e eu quero tanto que não suporto a ideia de me ver a falhar vezes e vezes sem conta. Caio constantemente no abismo e continuo sem ter consciência de que sou humana e que, por isso não tenho asas que me façam voar. Eu amo perdidamente o esforço recomopensado, mas quando tudo o que é meu é desvalorizado como é que é possivel que esse amor se mantenha?
Desculpa estar a perguntar mas, o que é que fazias se estivesses no meu lugar? Deixavas tudo para trás e deixavas-te ir na corrente ou batias com o pé no chão e impedias que o destino seguisse o seu caminho?" - disse-me ela calmamente, escolhendo cuidadosamente cada palavra que deixava voar pela atmosfera que nos rodeava. Lembro-me perfeitamente da minha resposta como se fosse agora, lembro-me dos sentimentos que me percorreram violentamente quando me apanharam de surpresa.

Respondi simplesmente: Não acredito no destino, acredito no desejo. O que quer que escolhas, o que quer que aconteça serão apenas consequências do que tu desejas, e não do destino.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Louca !

Enervas-me! Ou melhor, enervo-me a mim própria.
Ás vezes questiono-me se tenho alguma deficiência que me impede de encarar as coisas como elas são, uma coisa qualquer que me impede de seguir a razão e parar de me atirar para o abismo sucessivamente.

Juro que não percebo.
Continuo presa à mesma cela em que me encerraram três anos atrás. Segundo o que me lembro, disseram-me que podia saír quando quisesse. Logo, não percebo realmente porque continuo aqui. Cada dia a ficar cada vez mais pequena.

É isto que o 'gostar' oferece? Uma perda total de sentidos que não me deixa respirar sózinha, que não me deixa pensar sózinha, que não me deixa viver sózinha? É 'gostar' um contrato que me torna dependente de uma cara, de um sorriso, de um olhar?

Sinto-me do tamanho do Mundo, mas na verdade dantes sentia-me o Universo!

'Gostar' tornou-me realmente cega. Deixei de ver tudo o que me rodeava, o que rodeia. Celou as minhas ideias numa caixa cerrada por tempo indefinido sem chave por perto que a possa destrancar. Tornou-me Louca! Sou agora louca por liberade, a liberdade é a minha heroína, a liberdade enlouquece-me apenas com o seu cheiro. Desejo perdidamente ser livre, livre de mim.

'Gostar' tornou-me numa prisioneira, do pior tipo de prisioneira do Mundo. Tornou-me prisioneira dos meus próprios braços, que me agarram com uma força inacreditavel que eu não sabia que tinha. Tornou-me prisioneira de mim própria.

As minhas ideias estão demasiado difusas, não há nada concreto a que possa agarrar dentro de mim. Se houvesse um espelho que reflectisse a minha imagem interna, tudo seria escuro, escuro demais para ser sequer analisado.
Quero-me de volta. Se 'gostar' é isto, perder-me para não mais me voltar a encontrar. Não sei bem até que ponto quero continuar a gostar de Chocolate.

domingo, 12 de abril de 2009

Álbum da Minha Vida.

A pergunta seria, “Qual é o álbum da tua vida?”, a isto eu teria de responder – depois de vasculhar, espezinhar e dormir sobre o assunto – “Não sei, ainda sou nova demais para catalogar todos os anos que se avizinham”.

A pessoa que queria saber iria ficar, é certo, desiludida já que uma resposta destas é tudo menos o que o emissor deseja ouvir. Por isso, quer dizer, por compreender o lado do emissor – já que é o meu tantas e tantas vezes – elaborei outra resposta para dar. “Até agora creio que posso dizer que o álbum que mais me marcou e que me ofereceu mais delícias foi, sem dúvida alguma, o Meds de Placebo”. Esta seria então a minha resposta, uma resposta de que eu não estive certa por muito tempo e, que demorei bastante tempo para descobrir. É que, no meio de tanta música, no meio de tantas canções, de tantas bandas, as ideias acabam por ficar baralhadas e escolher o conjunto das que nos tocam mais pode tornar-se uma decisão realmente difícil. O novo desafio do século.

Meds é agora – sem qualquer tipo de dúvida – aquele CD. É aquele álbum que me fascina do inicio ao fim, desde a primeira à última faixa. É aquele conjunto de músicas que me fala baixinho durante todas as melodias, é aquele portal para outro mundo que nós tentamos várias vezes encontrar. Meds é para mim uma espécie de refúgio privado em que me posso rir e chorar sem nunca me sentir a desintegrada, já que Meds é por si só mais um dos que desintegrados que não se preocupam minimamente em integrar.

Creio que os Placebo, a quando a criação de Meds, não devem ter tido noção do trabalho que estavam a fazer. No entanto, mesmo sem eles reconhecerem este álbum como um dos melhores – se não o melhor e mais melancólico da sua carreira – Meds vendeu, não só as músicas como o nome da banda em sítios em que ninguém imaginava ouvir falar “dos Placebo”. A maior parte dos fãs e admiradores da banda não deve provavelmente concordar comigo já que, pelo menos segundo tudo o que eu fui ouvindo desde o seu concerto ao vivo no SBSR, ninguém apreciou realmente a performance de Brian durante a digressão do Meds. A questão é que: Estou-me mesmo nas tintas para as outras opiniões, eu conheci Placebo pelo Meds, eu tornei-me alguém com o Meds, e eu apaixonei-me por música com o Meds.
Por isso agora, que já estou realmente segura da minha opinião e da minha escolha, façam lá a pergunta de novo.

“Qual é o álbum da tua vida?”

Simples e directa, “Meds, as far as I can tell”.

“Porquê?”

“Porque esteve sempre lá, foi a música dos desgostos, foi a melodia das depressões, foi as palavras que me animaram, foi a porta para novos horizontes e porque foi realmente o meu Melhor Amigo.”

“Qual é o álbum da tua vida?” ?