"3 de Julho, quatro da tarde, faz frio lá fora, o ano é dois mil e nova, acho que já te disse a hora."
Ontem cheguei à conclusão desesperada de que a Outra não tinha qualquer poder sobre Ela. Mas, a Outra acabou de descer as escadas e enquanto Ela se encaminha para a cidade das verdades a verdadeira Outra permanece em casa, resguardada das mentiras que Ela lhe impinge dia após dia, hora após hora.
Fascina-me a capacidade que temos de desenvolver uma mentira através de ramos infinitos de uma maneira tão eficaz que até nós acabamos mergulhados numa mentira que tínhamos destinado aos outros. Acabamos por fechar os olhos e acreditar piamente que tudo o que dissemos é verdadeiro, quando na realidade não passa do cenário que montámos para belíssima peça de teatro em que temos passado os nossos dias.
Queria oferecer-lhe um ceptro de clarividência, um que a ajudasse a perceber-se a ela própria, um que lhe permitisse ver para além a pele que lhe cobre o corpo protegendo-a do frio e das feridas dos outros. Gostava que o fantasioso passasse para realidade, já que agora, nem os contos encantados têm finais felizes. Nem a vida os oferece nem as histórias criadas pela mente dos homens. Vivemos numa era em que a felicidade passou de sonho para mito e, os mitos não são alcançáveis como os sonhos mais impossíveis, são irreais e impensáveis, permanecendo vivos apenas pelo fluxo de necessidade que vive connosco.
Foi numa praia abissal, de qualquer das formas, que as vi fundirem-se uma na outra, perderem-se nos aromas uma da outra, roubarem os sentidos uma da outra. Foi numa praia abissal que a mentira de perdeu e a verdade se libertou de vez, apesar de nenhuma o ter percebido de tal forma profundo tinha sido mergulho a que se entregaram.
E agora, agora que a verdade já fugiu e que nenhuma delas a conseguiu agarrar, talvez se tenha perdido para sempre em mentes pobres e inseguras que jamais terão coragem de a partilharem com o mundo. Ou não, e as pessoas que presenciaram a fuga terão o prazer de a relatar às autoridades e providenciar o primeiro final feliz do século.
E viveram felizes para sempre. Fim.
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Acredites ou não, a mentira ajuda (:
ResponderEliminarfinais felizes são para histórias inacabadas ~nãofuieuqueinventei
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