terça-feira, 28 de abril de 2009

Decode.


Há coisas que não valem a pena existir.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Ele disse.

"és tipo um labirinto em linha recta.
o que eu tou a pensar
é num labirinto mesmo em que o principio e o fim tão mm ligado por uma linha recta
e consegues mesmo chegar ao fim só a andar para a frente
mas olhas para os lados e há bue caminhos e curvas e contra-curvas
e não consegues não te perder, mesmo que só tenhas de andar para a frente, e mesmo que saibas disso
percebeste?"


Serei? Serei assim tão fácil e complicada ao mesmo tempo? Serei?

domingo, 26 de abril de 2009

MJ (beijo à homem-aranha)

Hoje as palavras fugiram de mim, tiveram medo de mim, refugiaram-se longe de mim. E logo hoje que tenho tanto para dizer. São coisas que acontecem.

Não sei muito bem como começar. Não acredito em Deus, não acredito no destino, não acredito em espíritos, acredito em pessoas. E é por acreditar em pessoas que estou a tentar ao máximo alcançar as minhas palavras de novo, só para poder dizer o quanto as pessoas podem valer a pena.

Isto é um pedido frustrado, exasperado, impossível, a uma pessoa que se vê no espelho quando mais ninguém a consegue ver, a uma pessoa que sente e que quase ninguém se dá ao trabalho de a sentir.
Temo que tenha vivido ofuscada por aquilo que os reflexos me mostram, temo que a luz que nos espelha me tenha impedido de ver paisagens que valem a pena. Temo que em todas as minhas caminhadas não tenha reparado em casas lindíssimas porque a vegetação intensa as ocultava. Temo, sou humana.
É o medo que me impele a escrever hoje, é a minha crença nas pessoas - simplesmente por existirem -, é a minha fé na vida e nas oportunidades.
Conheço uns quadros maravilhosos, daqueles que logo à primeira vista nos prendem o olhar, daqueles que se prendem como uma lapa à nossa memória, daqueles que nos fascinam com a sua grandiosidade. Felizmente, conheço também o tempo e tudo de bom ele nos pode oferecer. O arrependimento, a mudança, a observação que nos fomenta, aquilo que nos mostra depois de uns segundos de atenção, a beleza que nos oferece por termos paciência. O tempo mostrou-me quadros que à primeira vista parecem vindos do lixo, que à primeira vista não passam de pinceladas mal dadas, de traços mal conseguidos, de opiniões mal formadas. São esses quadros que não me encantam num segundo que guardarei para sempre, são esses quadros que criam a arte na sua magnificência, são esses quadros que fazem valer a pena o tempo. Esses são os quadros misticos, repletos de significado, guardiões de sentimentos, são esses quadros da vida.
Como estes segundos quadros, existem segundas pessoas que só o tempo deixa conhecer, que só o tempo faz com que valam a pena.
MJ, nunca me demorei a observar-te, nunca deixei o tempo fazer o seu papel. Dás-me licença?

Companhia habitual

Lembro-me perfeitamente porque é que comecei a fumar. Andava chateada com o mundo - como todos nós andamos nalguma altura entre os 13 e os 19 - e passava a maior parte do meu tempo sozinha. Sozinha, completamente sozinha, para onde quer que as pessoas fossem, para onde quer que os meus amigos fossem, era para onde eu decidia não ir. Era o destino impensável.
Por isso, quando comecei a fumar, era só uma companhia. Detestava estar parada no mesmo sitio sem fazer nada, ali de pé a olhar para o nada, sem falar com ninguém, sem estar à espera de ninguém, sem preposito algum. Se estivesse a fumar, estava ali porque estava a fumar, não me sentia ridícula porque tinha o cigarro bem apertado entre os dedos e porque ninguém ia comentar a figura de parva que estava ali a fazer - como se a esperar que o tempo parasse.
Agora, depois de uns belos e longos meses sempre acompanhada, cheguei à conclusão que, apesar de fazer pessimamente mal a todo o meu organismo, o cigarro é muito melhor companhia do que qualquer outro ser humano. Não preciso de me preocupar com ele, é substituível, não perde tempo a mentir-me (diz-me desde o inicio : Vou matar-te - é certo, todos o conseguimos ver bem escarrapachado na frente ou nas traseiras de qualquer maço), não fala, ouve tudo o que digo, não me critica e está sempre lá.
O cigarro não passa realmente de uma companhia, de um suporte que me impede de sentir ridícula por não estar a fazer nada e, agora, de uma presença fiel e diária que nunca chega atrasado aos nossos encontros rotineiros.

Quando todas as minhas companhias forem como o cigarro, deixo de fumar. Até lá, vou-me contentando com a única que me faz recusar o cilindro e me consegue fazer sorrir.
Quem tem uma melhor amiga tem tudo.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Matar Mentiras

Encontro mentiras em toda a parte, para onde quer que olhe existe a marca da sua passagem. Nas ruas, nas casas, nos carros, nas árvores, nos passeios, nas pessoas.
Devia incomodar-me muito mais do que incomoda realmente mas, a verdade é que muito sinceramente, não quero saber. Concentro-me em viver na minha verdade, no meio pedacinho de certezas, contento-me em sorver as minhas pausas de cinco minutos, em alimentar as minhas palavras de estimação - quando não estão de greve - e ler, ler este Mundo e o outro, ler Mundos humanos, ler Mundos vampiros, ler todos os Mundos.
Todos mentimos no final de contas e ninguem se incomoda (realmente), por isso, vou continuar a ignorar os registos que alguém escreveu por aí, as cicatrizes da mentira que enfrento todos os dias, vou fazer como todos e fechar os olhos.
Descobri, no entanto, como resultado desta minha pesquisa, que pelo menos uma das coisas que fazemos não é mentira. O sexo é completamente verdadeiro, o sexo expulsa as incertezas simplesmente por estar a acontecer, o sexo é claro.
No sexo a mentira não tem lugar, um não é sempre um não. É que na hora h, meus companheiros, sendo bem feito e completamente satisfatório, ninguém se preocupa em dizer 'não' quando quer dizer 'sim', ninguém incomoda a mentir quando tudo o resto é real. Se não há orgasmo, não há fingimento que se safe, é que não há parceiro que não perceba. Há parceiro que não quer perceber.
Encontro a mentira em toda a parte e por isso, nesta minha pausa de cinco minutos tão sôfrega de tempo e de palavras, decidi escrever sobre as certezas que guardo e afirmar que pouco me importa se ela existe ou não, desde que o mar e o que sou continuem a ser verdadeiros.

E assim estou a ser egoísta, bem sei.

P.S. Se encontrarem alguma parecência com o primeiro paragrafo e uma musica dos Ornatos Violeta, é porque a letra dessa musica é linda e me é mais do que muito.

Entrei na loja errada.


Época de Saldos, estou desesperada por uma carteira nova, entro em todas as lojas que me aparecem à frente. Tem de ser, tenho de encontrar a carteira ideal.
Já entrei em mais de mil e uma lojas mas nenhuma delas tem o que procuro. Nenhuma delas tem aquela carteira, aquela de que ando à procura. É impressionante, existem tantas carteiras mas nunca gosto de nenhuma. Há sempre alguma coisa que não está bem, ou a cor, ou as alças, ou os desenhos, ou o coraçãozinho no canto direito. Nunca, nunca, são como quero. Nunca me 'servem'.
Tenho caminhado pelas cidades e cada vez que vejo uma montra paro, olho para dentro, vasculho as prateleiras pelo lado de fora e chego à conclusão habitual. Nada. Nada de nada, nada que me chame à atenção, nada que valha a pena. Continuo a caminhar mais um bocadinho, lá vejo uma rapariga passar com uma carteira de que eu gostaria mas, lá está, já é dela, não pode ser minha.
Preciso realmente de uma carteira por isso é impossivel párar de procurar, tenho de ter um lugar onde guardar as minhas tralhas, esconder os meus segredos, um lugar para trazer as minhas canetas e o meu caderno. A questão é que todas as carteiras que tenho comprado se rasgam ou perdem-se nalgum sitio em que me esqueço delas. Nunca duram o tempo suficiente para me afeiçoar a elas e usar até ficarem coçadas. Já vai das sortes.
No entanto no outro dia vi a carteira perfeita, a chama da esperança voltou a acender-se, era tão linda - era ideal! Entrei dentro da loja e fui vê-la melhor, magnifica! Peguei na etiqueta e vi o preço - demasiado - era demasiado cara para uma carteira. Era impossível tê-la, impossível consegui-la.
Mais uma vez, desde que ando a tentar comprar uma carteira, apaixonei-me pela 'mala' que não posso ter, entrei na loja errada. É sempre assim, sempre que encontro a carteira certa, ela simplesmente não está destinada a ser minha. As Richard once said

Não preciso de Dior, Gucci ou D&G, uma carteira da feira chegava, desde que fosse a ideal e pudesse ser minha.
Para a Mónica

terça-feira, 21 de abril de 2009

Arrancar-te de Mim.

São tantas fotografias, tantas imagens. Quero esquecer a todo o custo todos os momentos que passamos juntos. Quero esquecer o teu toque, as tuas palavras, o teu olhar. Quero-te esquecer de todo. Quero arrancar a tua memória do meu corpo.
E o pior é que nada disto é verdade.
Esquecer-te é a fuga cobarde, é a opção errada, é um caminho segura para lágrimas fáceis. Não quero esquecer nem um minuto, no entanto quero apagar-te da minha memória. Fazer com que pare de doer, fazer com que as feridas se sarem e não se voltem a abrir.
Mas são tantas as fotografias e tantas as imagens que esquecer-te transforma-se no céu e, para mim, o céu continua inalcançável.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Mais uma de tinto.

-Mais uma do que for desde que tenha álcool.
Dão-lhe um copo pequenino para a mão com um veneno vermelho lá dentro que lhe queima a garganta assim que engole o liquido viscoso. Pousa o na mesa e volta a soltar um pedido quase silencioso:
-Mais uma ronda!
O Homem do balcão pouco se importa com a figura que ele está a fazer e muito menos com o estado em que ele vai ficar. Mexe nas garrafas e entrega-lhe outro copo. Desta vez o veneno é verde mas sabe-lhe igualmente a fogo, queima-o tanto como o primeiro, detrói-o tanto como o primeiro.
Repete o mesmo gesto de à bocado, pousa o copo violentamente e grunhe umas palavras incompreensíveis mas bastante claras aos olhos experientes do empregado.
Mais uma vez, o empregado, o Homem do balcão, atende o seu pedido e continua sem se preocupar minimamente. Afinal, ele já tinha chegado ali naquele estado e se começar a fazer merda a solução é simples - rua!
Ele bebe de novo o conteúdo do terceiro copo de um só trago numa espécie de sede sôfrega tão digna de bêbado necessitado. As forças fogem-lhe, perde totalmente a linha de pensamentos, deixa de sentir as pernas e cai estatelado no chão.

Eu estou a ver mas resolvi não fazer nada. Ele que caia sozinho, já lhe dei água vezes suficientes.

domingo, 19 de abril de 2009

Poço Gigante.

Sou um poço gigante, um a um, todos os aldeões vêm buscar a sua porção de água diária. Não se preocupam com a possibilidade de o poço (que sou) secar já que parece existir água em muita abundância, não têm medo de cair dentro do poço (que sou) porque ele (eu) parece bastante seguro.
Sinto-me como um poço Toda a gente vem buscar água, toda a gente despeja o que não quer dentro de mim, mas ninguém me dá nada em troca e ninguém se preocupa com a minha possível seca.
É difícil ser-se um poço gigante, digo já. As pessoas confiam-nos a sua vida, esperam que sejamos nós a sustentá-la, a dar-lhes a água que é fundamental à sua existência. Não é fantástico o poder que os poços contêm?!
Dispenso os segredos se me forem roubar toda a energia que me resta, dispenso a confiança se não a receber em troca.
É um cliché dizer que estou farta de ser um poço profundo, mas estou e por isso vou dizê-lo de qualquer das formas.

Cheguei agora a um ponto tão grave, que já sequei. E tu nem sequer reparaste na minha queda.

P.s. Para as pessoas inteligentes, como 'ele' diz.

Ten.

Não tinha assim tantas opções. Ou me atirava de cabeça ou sentava-me no chão à espera, à espera que o tempo passasse sem deixar grandes marcas da sua presença.
Não consegui optar por nenhuma delas, nenhuma me soou suficientemente correcta para pôr em prática e, por isso escolhi outra. Outra que não se tinha apresentado como possível até acontecer.
Comecei a caminhar pelo quarto e reparei em todas as histórias que a minha parede conta, em todas as lágrimas que lá estão cravejadas, em todas as pessoas que ali estão eternizadas. Nunca me canso de olhar para a minha parede, cada vez que o faço ela conta-me histórias diferentes, ela é um mundo de oportunidades repleto de imaginação. Ela dita o passado, aviva a memória e impede-me de esquecer aquilo que merece realmente nunca ser esquecido.
Continuei a caminhar pelo quarto, totalmente perdida e alheia nos meus pensamentos, o chão estava demasiado frio ao meu toque, incomodava-me. Sentei-me no gigante que guarda a minha janela, um abismo negro que acolhe o meu corpo num braço cada vez que me deixo lá afundar. Senti uma resposta a usurpar as dúvidas que me dominavam, senti-a rastejar até tomar posse de tudo, senti a certeza a instalar-se e soube que esta era a opção correcta, a escolha que não existia e que tinha criado.
Não precisava nem de me atirar de cabeça nem de me sentar no chão à espera que o tempo se fizesse ouvir e desgastasse tudo o que rodeia - podia simplesmente fechar os olhos e deixar-me guiar pelas histórias que a alma branca que eu ergui me tem para contar até encontrar a solução para o meu problema. Esta era a opção certa, tinha a certeza.
Voltei-me a levantar e retornei à minha caminhada consecutiva de três passos, para a direita - para a esquerda. Os meus pés continuavam a sentir o chão realmente frio - cada vez mais frio até, com o passar do tempo - mas agora não me incomodava realmente. As soluções que começavam a submergir faziam com que aquele gelo insuportável se tornasse num factor secundário, ignorável.
Percebi então, quando o rádio começou a soltar uma melodia conhecida, qual era a resposta - a verdadeira e final.
Thoughts arrive like butterflies, Oh he don't know, so he chases them away - a resposta esteve sempre ali, a minha cegueira e necessidade obscura de a encontrar é que a tornou invisível.

Have I got a little story for you - a minha parede não se tinha movido, sempre ali estivera a contar-me histórias, a história da resposta.
Olhei a gigante do Árctico com mais atenção e li num dos papeis ali colados, rabiscado com a minha letra tão familiar: Diz que não. - E pronto, ali estava ela, a resposta de que eu andava à procura.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Apenas mais uma.

A chuva impiedosa e incessante não se cansava de castigar as ruas, ou pelo menos era o que lhe parecia da janela do seu quarto. Apetecia-lhe sair de casa e deixar para trás todas as suas angústias, mas o dia não parecia estar a concordar com ele e a água gotejante trancara-o dentro das muralhas.
Afastou-se da cama e foi ligar a aparelhagem, pelo menos a música toldava os seus pensamentos e impedia-os para uma direcção apenas, a que a melodia lhe ditava. Tinha quinze anos e a maior vontade de fugir que qualquer adolescente pode provar. Irritava-o os olhares que os infelizes lhe lançavam na escola, irritava-lhe o facto de não ser – nem estar perto disso – o filho que os seus pais esperavam que fosse, irritava-lhe a ideia de repugnância que fazia aparecer na cara de qualquer rapariga que lhe oferecesse um olhar durante mais do que um segundo. Tudo naquela terra o irritava, inclusive o facto de ter de pertencer ali, irrefutavelmente. Por muito que nos contem as tretas do livre arbítrio ninguém esta à espera que o herdeiro da família mais prestigiosa da cidade abandone a herança por um palco, especialmente um filho barão.
Já tinha perdido a conta às vezes que lhe tinham repetido o quão medíocre era a música, mas sinceramente continuava sem conseguir perceber como é que aqueles idiotas não conseguiam sentir a melodia, viver a canção. Seria assim tão difícil de acreditar que eram os acordes que o faziam viver?
Sentou-se outra vez à beira da janela e rabiscou no caderno as primeiras palavras que lhe afloraram à mente. “Perdido, esquecido pelos próprios mandamentos da existência”, como se fizessem muito sentido para variar. Escrever para quê? Nunca desejara tanto algo e nunca algo lhe fora tão difícil de alcançar. As palavras não fluíam, as letras recusavam-se a aparecer, quão difícil poderia ser riscar aquilo que se sente num acto fugaz e espontâneo? Muito, estava a aprender.
Olhou lá para fora a tempo de ver o aceno que Mikey lhe acabava de fazer, sorriu em retorno e voltou a olhar para o caderno. Páginas brancas cheias de riscos e tentativas falhadas de desenhar o que se passava dentro de si. Mais valia esquecer e parar de tentar. Fechou o caderno e desligou a aparelhagem. Nestas alturas nem a música o podia salvar de cair no buraco negro das lamentações. Desceu as escadas, vestiu o casaco e saiu finalmente para a chuva que há tanto o chamava. Pelo menos haviam aquelas sensações únicas que conseguiam fazer da vida fantástica pela simples existência de momentos como aqueles. A água molhou-lhe o rosto e lavou-lhe o cansaço que se começava a instalar. Detestava ter de admitir mas, três noites com três horas de sono não eram propriamente parte de uma rotina agradável e feliz.
Começou a caminhar livremente pela rua, não estava à procura de nada mas se encontrasse uma resposta era capaz de ir à missa no próximo Domingo. Triste, mas verdadeiro, religião só em troca de algo, e algo muito bom. Era assim que as coisas funcionavam consigo. Uma guitarra - um mês de idas à igreja, um baixo - três confissões, uma oportunidade para se ir embora - crisma.

5 de Fevereiro de 2009, 20:39, Quarto, Sala?, Oleiros Paradise


Inicio de mais uma das minhas histórias que nunca cheguei a acabar.

Destino ? Não.

"Eu quero saber. quero saber um pouco de tudo o que ainda não sei.

Não há nada que eu possa fazer para tornar as coisas mais simples. O Mundo continua a acabar. As familias que não têm dinheiro continuam a morrer à fome. As criançãs sem pais continuam orfãs. Os que choram continuam desgostosos.
O que é que importam as tentativas que eu faço se tudo o que descubro é desacreditado uns segundos depois de o ter encontrado? Como é que é possivel que apesar de continuar a criar novos argumentos e a fundamentar todas as minhas teorias, os que eu quero que me ouçam continuam surdos? Estou farta de tentar, tentar, tentar sem obter qualquer resultados, nem sequer um simples sinal.
Se calhar já está na hora de continuar em frente. De párar de pensar no Passado e começar a contruir o Futuro, que eu tão incertamente hei-de ter de trilhar.
Não faço a minima ideia de como continuar sem secar as lágrimas que teimam em soltar-se da prisão em que as mantenho. Querer é poder, e eu quero tanto que não suporto a ideia de me ver a falhar vezes e vezes sem conta. Caio constantemente no abismo e continuo sem ter consciência de que sou humana e que, por isso não tenho asas que me façam voar. Eu amo perdidamente o esforço recomopensado, mas quando tudo o que é meu é desvalorizado como é que é possivel que esse amor se mantenha?
Desculpa estar a perguntar mas, o que é que fazias se estivesses no meu lugar? Deixavas tudo para trás e deixavas-te ir na corrente ou batias com o pé no chão e impedias que o destino seguisse o seu caminho?" - disse-me ela calmamente, escolhendo cuidadosamente cada palavra que deixava voar pela atmosfera que nos rodeava. Lembro-me perfeitamente da minha resposta como se fosse agora, lembro-me dos sentimentos que me percorreram violentamente quando me apanharam de surpresa.

Respondi simplesmente: Não acredito no destino, acredito no desejo. O que quer que escolhas, o que quer que aconteça serão apenas consequências do que tu desejas, e não do destino.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Louca !

Enervas-me! Ou melhor, enervo-me a mim própria.
Ás vezes questiono-me se tenho alguma deficiência que me impede de encarar as coisas como elas são, uma coisa qualquer que me impede de seguir a razão e parar de me atirar para o abismo sucessivamente.

Juro que não percebo.
Continuo presa à mesma cela em que me encerraram três anos atrás. Segundo o que me lembro, disseram-me que podia saír quando quisesse. Logo, não percebo realmente porque continuo aqui. Cada dia a ficar cada vez mais pequena.

É isto que o 'gostar' oferece? Uma perda total de sentidos que não me deixa respirar sózinha, que não me deixa pensar sózinha, que não me deixa viver sózinha? É 'gostar' um contrato que me torna dependente de uma cara, de um sorriso, de um olhar?

Sinto-me do tamanho do Mundo, mas na verdade dantes sentia-me o Universo!

'Gostar' tornou-me realmente cega. Deixei de ver tudo o que me rodeava, o que rodeia. Celou as minhas ideias numa caixa cerrada por tempo indefinido sem chave por perto que a possa destrancar. Tornou-me Louca! Sou agora louca por liberade, a liberdade é a minha heroína, a liberdade enlouquece-me apenas com o seu cheiro. Desejo perdidamente ser livre, livre de mim.

'Gostar' tornou-me numa prisioneira, do pior tipo de prisioneira do Mundo. Tornou-me prisioneira dos meus próprios braços, que me agarram com uma força inacreditavel que eu não sabia que tinha. Tornou-me prisioneira de mim própria.

As minhas ideias estão demasiado difusas, não há nada concreto a que possa agarrar dentro de mim. Se houvesse um espelho que reflectisse a minha imagem interna, tudo seria escuro, escuro demais para ser sequer analisado.
Quero-me de volta. Se 'gostar' é isto, perder-me para não mais me voltar a encontrar. Não sei bem até que ponto quero continuar a gostar de Chocolate.

domingo, 12 de abril de 2009

Álbum da Minha Vida.

A pergunta seria, “Qual é o álbum da tua vida?”, a isto eu teria de responder – depois de vasculhar, espezinhar e dormir sobre o assunto – “Não sei, ainda sou nova demais para catalogar todos os anos que se avizinham”.

A pessoa que queria saber iria ficar, é certo, desiludida já que uma resposta destas é tudo menos o que o emissor deseja ouvir. Por isso, quer dizer, por compreender o lado do emissor – já que é o meu tantas e tantas vezes – elaborei outra resposta para dar. “Até agora creio que posso dizer que o álbum que mais me marcou e que me ofereceu mais delícias foi, sem dúvida alguma, o Meds de Placebo”. Esta seria então a minha resposta, uma resposta de que eu não estive certa por muito tempo e, que demorei bastante tempo para descobrir. É que, no meio de tanta música, no meio de tantas canções, de tantas bandas, as ideias acabam por ficar baralhadas e escolher o conjunto das que nos tocam mais pode tornar-se uma decisão realmente difícil. O novo desafio do século.

Meds é agora – sem qualquer tipo de dúvida – aquele CD. É aquele álbum que me fascina do inicio ao fim, desde a primeira à última faixa. É aquele conjunto de músicas que me fala baixinho durante todas as melodias, é aquele portal para outro mundo que nós tentamos várias vezes encontrar. Meds é para mim uma espécie de refúgio privado em que me posso rir e chorar sem nunca me sentir a desintegrada, já que Meds é por si só mais um dos que desintegrados que não se preocupam minimamente em integrar.

Creio que os Placebo, a quando a criação de Meds, não devem ter tido noção do trabalho que estavam a fazer. No entanto, mesmo sem eles reconhecerem este álbum como um dos melhores – se não o melhor e mais melancólico da sua carreira – Meds vendeu, não só as músicas como o nome da banda em sítios em que ninguém imaginava ouvir falar “dos Placebo”. A maior parte dos fãs e admiradores da banda não deve provavelmente concordar comigo já que, pelo menos segundo tudo o que eu fui ouvindo desde o seu concerto ao vivo no SBSR, ninguém apreciou realmente a performance de Brian durante a digressão do Meds. A questão é que: Estou-me mesmo nas tintas para as outras opiniões, eu conheci Placebo pelo Meds, eu tornei-me alguém com o Meds, e eu apaixonei-me por música com o Meds.
Por isso agora, que já estou realmente segura da minha opinião e da minha escolha, façam lá a pergunta de novo.

“Qual é o álbum da tua vida?”

Simples e directa, “Meds, as far as I can tell”.

“Porquê?”

“Porque esteve sempre lá, foi a música dos desgostos, foi a melodia das depressões, foi as palavras que me animaram, foi a porta para novos horizontes e porque foi realmente o meu Melhor Amigo.”

“Qual é o álbum da tua vida?” ?