terça-feira, 18 de agosto de 2009

it is still beating

"we're both looking for something we've been afraid to find" - Lifehouse


Estou cansada, finalmente cansada desta busca desenfreante que nunca me pareceu ter fim. Agora já não é a dor incessante que se apoderou dos meus pés que me impede de caminhar, é uma dor interna, uma desilusão ambígua que não deixa margem para dúvidas. Chegou ao fim. Encontrei o fim. O tão temido e desesperadamente desejado fim.
Quem me ouvir escrever, quem me sentir os pensamentos, quem me tentar integrar para além das letras soltas que aqui se apresentam talvez sinta - por um milésimo segundo - que todas estas palavras são transportes de dor. Enganam-se. Por uma primeira vez o fim é tudo menos o corredor das lágrimas.
Se há algo que me assalta quando penso nele, então esse algo é uma alegria irracional que me preenche num todo, que me arrebenta as costuras com toda a sua imensidão.

É difícil explicar a um vencedor a magia que o fim pode trazer, é difícil explicar a uma pessoa que nunca conheceu o fim de algo a magnitude que o fim traz a uma vida. A um corpo. A uma pessoa. Ao tal algo.

Foi pelo fim desta caminhada que eu dei cada passo, foi pelo fim que teimava em chegar que eu me atrevi sequer a passar a linha da partida. É que, por muito que me tenha esfolado, cheguei ao fim. E o fim traz-me mais recompensas do que uma meta atravessada em primeiro lugar.
É o fim, esta estrada não tem mais caminhos para mim. A partir de agora esfolarei os pés noutro asfalto.


Itálico

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Make a Wish


"Make a wish - dreams will only leave you if you leave them."

Foi naquela noite, há não sei quantos meses atrás, naquele momento em que me agarras-te a mão como se tivesses medo que me perdesse no meio da multidão, como se todas aquelas pessoas me pudessem roubar de ti apesar de ainda nem sequer me teres. Foi a partir desse instante que comecei a desejar um tudo que nunca pensei combinar comigo, um tudo que via como o pólo oposto aquele que sou.
Gostava de perceber o porquê de o teu toque me fazer arder a pele, gostava de entender todas as reacções químicas que ocorrem nas minhas entranhas, gostava de perceber... Às vezes tudo o que precisamos é simplesmente daquele tudo, daquele por que comecei a ansiar naquela noite, o tal tudo que nunca nos pareceu ideal e, no entanto, às vezes esse tudo é tudo aquilo de que precisamos. Precisamente porque não o estamos habituados a querer.

Descubro agora, tanto tempo depois, que um simples toque na mão, umas quantas palavras trocadas, uns olhares aqui e ali já não me bastam. Nada disso mata à fome ao bicho que se instalou dentro de mim, nada disso sacia o apetite sagaz que ele desenvolveu por ti. Preciso de mais, quero mais.

Esqueçam-se as palavras doces e os olhares meigos, falemos de uma verdade acima de qualquer galanteio. Falemos do desejo carnal, da necessidade do toque, do poder das certezas. Falemos das sensações desenfreadas que nos percorrem o corpo num espasmo interminável quase insuportável que temos medo que pare. Mas... agora pensando nisso, pensando nisso mais aprofundadamente só me ocorre uma ideia. De que é que vale todo esse frenesim? Não me vale de nada se não me continuares a incendiar a pele com o teu toque tão suave e tão leve, se não continuarmos com as nossas guerras de palavras, se todas as nossas implicâncias não se mantiverem.
Quero-te inteiro, como ser que és, pelo homem que és. E o pior de tudo ´´e que... bem sei que quero demais.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

o amor é.


"Love life and life will love you back. Love people and they will love you back."
- Arthur Rubinstein

Esta manhã quando acordei, depois de ter aberto os olhos a muito custo, depois de ter sentido o sabor amargo a que o hálito matinal me impregna a boca, deixei a minha mente vaguear por teorias que vou arquivando ao longo dos anos na minha memória.
Divaguei sobre a importância que as pessoas têm para mim em contrapartida com a importância que eu tenho para elas, foi essencialmente este o assunto que estive a presseguir deitada sob os meus lençois desfeitos, esta manhã.
Foi então que me lembrei de uma frase antiga que tinha lido um dia nalgum livro que requisitei na Biblioteca, numa das minhas muitas fases em que passava lá a vida encafuada à procura do próximo monte de papel que me iria revolucionar a vida - eu tinha a certeza!
Tudo o que tu amares por inteiro, sem reservas e com tudo o que és, amar-te-à de volta pelo aquilo que és, sem reservas e por inteiro.
Parece-me agora que esta frase não tem nada bonito, aliás, quase podia afirmar que esta frase limita-se a acalentar esperanças vãs de que o mundo é bonito e de que as pessoas são boas. Mas a verdade é que o mundo já não é bonito e as pessoas já não são boas, foram um dia - num dia que já se findou há muitos anos.

Por isso é que esta manhã, depois de ter acordado, depois de me ter lembrado das pessoas que me rodeiam, depois de me ter concluido apaixonada por elas, depois de ter sentido a ansia a correr nas minhas veias por saber que elas existem, depois de o meu estomago se virar do avesso por saber que é com elas que vou estar daqui a umas horas, cheguei à conclusão que apesar de o mundo já não ser bonito e das pessoas já não serem boas a frase jamais estará assim tão errada. Se oferecer o meu amor à vida porque não irá ela devolver-me o sentimento em todo o seu poder avasalador? Se oferecer o meu amor às pessoas porque não irão elas devolver-mo com calma, dia-a-dia, de uma maneira frenética de compaixão e presença?
E foi isso que encontrei esta manhã nos meus sonhos de olhos abertos,
esperança. Uma esperança que não me deixa párar de acreditar que apesar de o amor não me tocar a mim, pode sempre tocar os outros.