domingo, 26 de abril de 2009

MJ (beijo à homem-aranha)

Hoje as palavras fugiram de mim, tiveram medo de mim, refugiaram-se longe de mim. E logo hoje que tenho tanto para dizer. São coisas que acontecem.

Não sei muito bem como começar. Não acredito em Deus, não acredito no destino, não acredito em espíritos, acredito em pessoas. E é por acreditar em pessoas que estou a tentar ao máximo alcançar as minhas palavras de novo, só para poder dizer o quanto as pessoas podem valer a pena.

Isto é um pedido frustrado, exasperado, impossível, a uma pessoa que se vê no espelho quando mais ninguém a consegue ver, a uma pessoa que sente e que quase ninguém se dá ao trabalho de a sentir.
Temo que tenha vivido ofuscada por aquilo que os reflexos me mostram, temo que a luz que nos espelha me tenha impedido de ver paisagens que valem a pena. Temo que em todas as minhas caminhadas não tenha reparado em casas lindíssimas porque a vegetação intensa as ocultava. Temo, sou humana.
É o medo que me impele a escrever hoje, é a minha crença nas pessoas - simplesmente por existirem -, é a minha fé na vida e nas oportunidades.
Conheço uns quadros maravilhosos, daqueles que logo à primeira vista nos prendem o olhar, daqueles que se prendem como uma lapa à nossa memória, daqueles que nos fascinam com a sua grandiosidade. Felizmente, conheço também o tempo e tudo de bom ele nos pode oferecer. O arrependimento, a mudança, a observação que nos fomenta, aquilo que nos mostra depois de uns segundos de atenção, a beleza que nos oferece por termos paciência. O tempo mostrou-me quadros que à primeira vista parecem vindos do lixo, que à primeira vista não passam de pinceladas mal dadas, de traços mal conseguidos, de opiniões mal formadas. São esses quadros que não me encantam num segundo que guardarei para sempre, são esses quadros que criam a arte na sua magnificência, são esses quadros que fazem valer a pena o tempo. Esses são os quadros misticos, repletos de significado, guardiões de sentimentos, são esses quadros da vida.
Como estes segundos quadros, existem segundas pessoas que só o tempo deixa conhecer, que só o tempo faz com que valam a pena.
MJ, nunca me demorei a observar-te, nunca deixei o tempo fazer o seu papel. Dás-me licença?

1 comentário:

  1. ,mama dá licença?
    .dou sim.
    ,quantos passos?
    .dois.
    ,a que?
    .á bébé.

    (desculpa, mas foi o que me lembrei)
    e acredites ou não, eu rachei a cabeça a jogar este jogo.

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