quarta-feira, 25 de março de 2009

Ser Gay.

Veio ter comigo quando eu menos esperava que o fizesse. Olhou-me nos olhos e disse, calma e cautelosamente, 'temos de falar, falar a sério'.
Não havia grande coisa que pudesse dizer e, mesmo que quisesse, já se tinha formado uma bola gigante na minha garganta que me impedia de falar. É impressionante mas, mais uma vez, naquele momento fez-me ver o quão grande é.
'O que é que tu pensas sobre gostar de rapazes?'
Aí foi quando me caiu tudo, o mundo desabou, desapareceu sob os meus pés e eu fiquei suspenso dependente da minha resposta - qualquer que fosse. Não haviam palavras, apesar de depois me ter lembrado de uma centena delas que teriam feito um trabalho impecável.
Gaguejei e acabei por responder, tão calmo quanto podia:'Normal'.
Olhou para mim, minto, olhou através de mim até restar apenas a minha pele e os meus ossos, despiu-me sem pudores até me ler os pensamentos e não precisou sequer de pedir autorização.
'Queres então dizer, que gostas de rapazes?'
Agora já estava muito mais preparado, a bola gelada da minha garganta já se tinha movimentado o suficiente para conseguir falar como uma pessoa racional e as palavras já fluíam mais facilmente. Disse-lhe, depois de uns longos e demorados segundos de silêncio, que sim, que gostava. Ela olhou para mim, uma vez mais, e baixou os olhos até me perguntar num sussurro, 'Como é?'.
Não precisou de acrescentar mais nada para eu perceber, desta vez fui eu quem a despiu violentamente, fui eu quem leu os pensamentos numa invasão abrupta de privacidade.
'É exactamente igual a ti. Eu sinto como tu sentes. Eu gosto como tu gostas. Eu desejo como tu desejas. Eu sou como tu és, só que em vez de seguir o caminho convencional da natureza escolhi caminhar por um atalho que o destino me ofereceu por ser mais interessante, para mim pelo menos.'
Ela levantou-se tão calma quanto quando chegara, afastou-se um pouco de mim para garantir que não me sentia pressionado, e enquanto eu a via pesar todos os pós e contras através dos seus olhos, estendeu a mão como a tentar tocar-me. Riu-se, e disse 'Ser o que tu és dá trabalho, não dá? As pessoas, o que elas pensam, o que elas dizem. É muito mau.'
E para finalizar a nossa conversa 'a sério', eu disse-lhe o que lhe quis dizer desde o dia em que me assumi, em que me compreendi, 'Mãe, para todos nós ser 'eu' é complicado, para mim não é pior do que para os outros.'
No entanto ela é sempre a que tem a última palavra e, por isso, teve de ser ela a rabiscar Fim na folha do nosso diálogo, 'Tens razão, enquanto sorrires pouco me importa a quem dás a mão'.

Fim, disse ela.

Para o meu Melhor Amigo, que tanto me dá a mão a mim como ao rapaz de quem gosta e para a minha Melhor Amiga, que tanto me dá a mão a mim como à rapariga de quem gosta.



Modas Portuguesas. (nada a ver)

'As pessoas não passam de moda'. Não são como um trapo que usamos durante a época alta para depois deixar perdido no fundo do armário.
Era isso que queria que percebessem. Que não passamos de moda, nós fazemos a moda.

TU?!
Queria que percebesses e visses a totalidade da tua maravilhosa capacidade de moldar as palavras, de as usar das formas mais variadas.
O que tu fazes com as sílabas, com os versos e com os pontos finais á mais do que arte, é magia. Simplesmente fazes tudo de olhos fechados e por isso não tens noção dos feitiços que emergem de ti enquanto escreves.
És mágico. Percebes?

terça-feira, 24 de março de 2009

Ás vezes tem mesmo de ser


Às vezes tem mesmo de ser, mesmo que eu não queira, mesmo que não me apeteça. É uma ordem natural que todos nós seguimos de vez em quando: olhar para o céu.
É um fenómeno maravilhoso, é um momento instantâneo de felicidade, quando erguemos os olhos calmamente e fixamos o azul a que estamos tão acostumados. A imensidão do céu que parece nunca acabar, envolve-nos num abraço interminável, como se estivéssemos a ser afogados naquele mar vazio e cheio de nada. Nos dias em que isso acontece não existem nuvens, o quadro é simples e apenas o azul mancha, entediante, o centro do quadro que nos faz sorrir antes da queda dolorosa.
Às vezes tem mesmo de ser, é um gesto natural que não se controla, é uma vontade inconsciente que age por conta própria sem esperar pela aprovação da razão. Defendem os assassinos que foi por isso que mataram e os ladrões que foi por isso que roubaram, eu alego que foi por isso que estiquei o braço para tentar alcançar o céu. Foi uma reacção instintiva comandada por uma vontade desumana de tocar naquele azul inundante e apetecível que me prometeu silenciosamente fazer esquecer todas as chagas e cicatrizes melancólicas. Prometeu-me um sorriso.
Foi por isso mesmo, por aquele sorriso que me prometeram em troca, que eu afastei o braço cautelosamente e permaneci refugiada por mais uns segundos para em seguida soltar uma sonora gargalhada.
Querem me oferecer um sorriso? Um sorriso?!
Não muito obrigado, já que sorrir é a única coisa que faço, de livre e espontânea vontade, sem manual de instruções ou medo de cometer asneira. É que sorrir, para sorrir cada um tem a sua maneira.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Should I really know why?


I found myself lost in old memories that have always refuse disappear. I was completely mixed-up with feelings that I no longer remembered I had. Since I figured out I wouldn’t feel all right if I didn’t go away, I tried to escape from that room where all my Past was preserved for so many years with no broken locks to replace.

These days, I’m not sure that I made the right choice. Because, thought my past hurts me, it hurt me a lot more not being able to deal with what I’ve lived.

Should I really know why these simple reminiscences won’t let me go?

Tomorrow I’ll wake up again, as the other days, at 7:20 a.m. with the same breath I wake every morning, with the same hopes I’ll get asleep tonight, with the same fears I’ve leaving since I remember. I’ll be a different person, but not so different that you won’t be able to recognize me. I’ll be the same person, as I won’t. You’ll be different too, but I’ll held your hand same way.

Lucky Number Seven.


Eu sempre gostei de dizer isto, "Lucky Number Seven".
Never knew why, since seven have never been my lucky number. I don't have any.
Although, I think a lot about it, I mean, about seven and not about my missing lucky number because I really do not feel incomplete without it. I think that seven is like a big mistery, like a poetry screaming for comprehension. I'm not saying, not even believing, that a simple number can give you luck, I'm just saying it is a mistic and magical number created by a human mind filled of greatness.
Why do people like seven so much at first place?
Does seven means anything I don't know?
Well, I refuse to believe that luck is depending on maths, althought that would explain my pretty bad luck!
Whatever, seven it will always be the "Lucky Number Seven", and since I haven't found a credible answer, I'll still only enjoying the expresion without proving its supernatural power.
On the other hand, I do believe that the number might really give you luck, but only if that's what you believe in. And as I don't, I'll still try to reach luck by some other worst road, like I always do. Complicated things are much more pleasent. (to me, at least)

Acordar Rotineiro. Dia Novo?

A porta a fechar-se atrás das costas, a descida apressada das escadas, a espera enquanto a música se adequa e se faz ouvir sobre os ruídos de todas as outras coisas desinteressantes, a entrada para a camioneta, a espera de novo, numa pausa vertical pelo começo de um novo dia.
Sensações rotineiras que se repetem vezes sem conta, tão semelhantes e todos os dias diferentes sem nunca deixarem margem para dúvidas de que não se trata de um dejavú mas de um minuto novo, um segundo depois, uma paisagem diferente. E, no entanto, toda a semana me parece um espelho da anterior. As mesmas noticias do fim do Mundo, os mesmos anúncios à chegada da crise, as mesmas lágrimas, embora que derramadas por pessoas diferentes. Se temos tantos dias semelhantes porque é que deixemos que tudo o que está mal se mantenha, dia após dia, hora após hora. É suposto perceber, aceitar?

Sentei-me sob um sol escaldante, reconfortante o suficiente para me aquecer, agradável o suficiente para me deixar sentir uma brisa suave. São simples os segundos que passo sozinha à espera de novos acontecimentos que podem, ou não, mudar a minha vida.

Tatiana Rocha, não que já não se saiba.

terça-feira, 17 de março de 2009

Homem sem medos.

Escondia-se. Nunca percebi bem porquê já que não me parecia ter grande coisa para esconder.
Recolhia-se num mundo próprio sem grandes perturbações onde nem mesmo os gritos da sociedade o alcançavam.
São, talvez fosse essa a palavra mais fácil para o descrever. Uma palavra que se oferece aos seus lábios sem qualquer tipo de hesitação ou dúvida.
Invejava-o de uma certa forma por toda a calma que parecia imanar, no entanto quando a cuidadosa névoa se dispersava, em nada era parecido com tranquilidade aquilo que se sentia.
Duvido seriamente que o que ele impedia de ver fosse motivo suficiente para toda a culpa que ele fizera erguer dentro de si. Mas mais uma vez, por ser humano ou simplesmente por ser, deixava que a culpa infundada tomasse conta de si.
Preocupa-me que tenha um olhar ferido, uma alma rasgada sem qualquer tipo de cura, um cancro interno que não se vê e que as sondas não reconhecem.
De qualquer das formas, sem consentimento proferido, roubou-me as poucas certezas que eu reuni um dia, e obrigou-me a repensar o mundo e todo o conceito de sanidade.
E agora são já não se oferece tão facilmente, porque a palavra ganhou raízes que nem a verdade consegue fazer secar.

Só mais uma!

Só mais uma confidência.

Enquanto eles (as pessoas) caminhavam pela esplanada, eu reparei que todos eles são realmente atraentes. É essa a caracteristica comum das pessoas 'farsadas'?
E é só!

Falsidade!

Estou farta de mentiras.

É impressionante mas, sempre que fecho os olhos, vejo imensa mentira à minha volta. É só falsidade, um grande pacote com 50% oferta.
Não sei como é que estas pessoas se conseguem dar com tanta facilidade quando na verdade, no segundo em que viram as costas, apressam-se a falar mal um dos outros com quantos dentes têm na boca. E vejo-o falar dos outros, logo, também devem falar de mim.
É um grupo de mentiras e fachadas, é um grupo de amizades e contratos. Um bando de interesseiros?
Custa tanto a acreditar que tudo se resuma a um interesse mutúo que tráz vantagens a ambos os lados! Não quero! Não quero que assim seja.
Era tão melhor se todos se entedessem sem grandes consufões ou que, mesmo com confusões, as resolvessem cara-a-cara, sem fazer com as confusões se tranformem em intrigas. Já que é o que acontece.
Intrigas, mentiras, falsidade. ~

"É nestes momentos que eu digo, Não estou a perceber!"

E pronto, deve ser só. Tendo em conta, é claro, que os meus pensamentos mais pessoais ficam só para mim, não estou com muita vontade de os partilhar com a internet ;)

domingo, 15 de março de 2009

Cruzinha Traiçoeira

É tão frustrante quando no fazem reviver um erro todos os dias. Quando nos obrigam a estar sempre com ele, quando nos impedem de o resolver, de o apagar.
Estou farta, estou demasiado cansada de que uma escolha - uma cruzinha ridícula - tenha estragado um ano da minha vida, pior, tenha condenado um ano da minha vida ao mais puro estado da frustração!
Eu abomino, repugno, o curso idiota em que estou e pelo menos uma disciplina a que tenho de assistir. E para tornar todo o cenário ainda mais agradável, ainda é suposto que eu, não sabendo falar chinês, consiga passar com positiva na porcaria do teste "Sabe falar Chinês?"?
Todas as aulas a estar lá sem lá estar, todos os olhares de insignificância e superioridade que a professora me oferece, tudo o que eu sinto por estar ali sem fazer nada. Burra. Mas também, eu não tenho propriamente culpa, não consigo controlar o nível do meu Q.I., ora porra!
Só me apetece fugir, para que nunca mais me vejam, para nunca mais ter de ficar presa como estou a agora, a uma realidade inventada pelos desejos da minha mãe, em que eu errei porque fiz uma cruzinha no quadrado errado.
Que se foda: isto, pessoas que não se preocupam, palavras que não importam, momentos imperdoáveis, o amor!

E tenho dito, não preciso de dizer muito mais tendo em conta que a imagem já diz tudo. É mesmo literalmente como a expressão: "está tudo nas tuas mãos". É que está mesmo!
Se as pessoas não se importam, não devem importar para nada, se elas não devem importar para nada também o que elas dizem deve ir direito para o caixote do lixo sem audição prévia.
Que se foda isto tudo, crl, que eu ás vezes também fico farta!

Cansaço de Palavras

Nunca detestei tanto esta coisa como agora, que me apagou um texto inteiro de que eu gostava!

É um cansaço de palavras. É uma necessidade incontrolável de as usar e não saber onde elas estão.

É uma espécie de amnésia que enevoa o meu dicionário cerebral. É como se as palavras se tivessem chateado comigo e me tivessem posto de castigo, já que não me as deixam usar. Perdias, são tantas histórias, tanta imaginação e nem uma palavra para poder descrever todo este frenezim de ideias que me vai na cabeça, todo este turbilhão de acontecimentos que eu quero expulsar do meu corpo.
Frustração. Impotência. A pior impotência do mundo, querer escrever, querer gritar e não haver voz. Como se me tivessem roubado o dom da palavra - durante um sono longo e pronfundo - de modo a que eu não me possa expressar por mais do que tente já que não tenho meios para isso.
É horrivel, é uma dor profunda. Quero as palavras de volta. Quero tanto!
É um bloqueio! Existe mais para dizer agora do que quando rabiscava mil papeis seguidos noutros tempos, existem mais vidas para descrever agora do que quando escrevia mil história sem querer, existe mais imaginação agora do que quando inventava contos minuto a minuto, o que não existem agora são as palavras tão essências para que faça tudo. E no entanto as palavras auto apagam-se num suicidio que tem apenas como objectivo alimentar a minha doença ignorante.
É um cansaço de palavras, da ausência delas. É cansaço das buscas vãs que já fiz para as reencontrar, é um cansaço da estagnação que enfrento ao olhar para uma folha branca, é um cansaço desta quarentena que elas me estão obrigar a ultrapassar por um qualquer pecado que não me lembro de ter cometido.

E a única palavra que me deixam lembrar continua a ressoar na minha cabeça, "palavra", numa sentença cruel e fria para que eu nunca me esqueça que é apenas da "palavra" que eu preciso.
Tatiana Rocha