Nunca detestei tanto esta coisa como agora, que me apagou um texto inteiro de que eu gostava!
É um cansaço de palavras. É uma necessidade incontrolável de as usar e não saber onde elas estão.
É uma espécie de amnésia que enevoa o meu dicionário cerebral. É como se as palavras se tivessem chateado comigo e me tivessem posto de castigo, já que não me as deixam usar. Perdias, são tantas histórias, tanta imaginação e nem uma palavra para poder descrever todo este frenezim de ideias que me vai na cabeça, todo este turbilhão de acontecimentos que eu quero expulsar do meu corpo.
Frustração. Impotência. A pior impotência do mundo, querer escrever, querer gritar e não haver voz. Como se me tivessem roubado o dom da palavra - durante um sono longo e pronfundo - de modo a que eu não me possa expressar por mais do que tente já que não tenho meios para isso.
É horrivel, é uma dor profunda. Quero as palavras de volta. Quero tanto!
É um bloqueio! Existe mais para dizer agora do que quando rabiscava mil papeis seguidos noutros tempos, existem mais vidas para descrever agora do que quando escrevia mil história sem querer, existe mais imaginação agora do que quando inventava contos minuto a minuto, o que não existem agora são as palavras tão essências para que faça tudo. E no entanto as palavras auto apagam-se num suicidio que tem apenas como objectivo alimentar a minha doença ignorante.
É um cansaço de palavras, da ausência delas. É cansaço das buscas vãs que já fiz para as reencontrar, é um cansaço da estagnação que enfrento ao olhar para uma folha branca, é um cansaço desta quarentena que elas me estão obrigar a ultrapassar por um qualquer pecado que não me lembro de ter cometido.
E a única palavra que me deixam lembrar continua a ressoar na minha cabeça, "palavra", numa sentença cruel e fria para que eu nunca me esqueça que é apenas da "palavra" que eu preciso.
Tatiana Rocha
domingo, 15 de março de 2009
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