A porta a fechar-se atrás das costas, a descida apressada das escadas, a espera enquanto a música se adequa e se faz ouvir sobre os ruídos de todas as outras coisas desinteressantes, a entrada para a camioneta, a espera de novo, numa pausa vertical pelo começo de um novo dia.
Sensações rotineiras que se repetem vezes sem conta, tão semelhantes e todos os dias diferentes sem nunca deixarem margem para dúvidas de que não se trata de um dejavú mas de um minuto novo, um segundo depois, uma paisagem diferente. E, no entanto, toda a semana me parece um espelho da anterior. As mesmas noticias do fim do Mundo, os mesmos anúncios à chegada da crise, as mesmas lágrimas, embora que derramadas por pessoas diferentes. Se temos tantos dias semelhantes porque é que deixemos que tudo o que está mal se mantenha, dia após dia, hora após hora. É suposto perceber, aceitar?
Sentei-me sob um sol escaldante, reconfortante o suficiente para me aquecer, agradável o suficiente para me deixar sentir uma brisa suave. São simples os segundos que passo sozinha à espera de novos acontecimentos que podem, ou não, mudar a minha vida.
Tatiana Rocha, não que já não se saiba.
segunda-feira, 23 de março de 2009
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