domingo, 19 de abril de 2009

Ten.

Não tinha assim tantas opções. Ou me atirava de cabeça ou sentava-me no chão à espera, à espera que o tempo passasse sem deixar grandes marcas da sua presença.
Não consegui optar por nenhuma delas, nenhuma me soou suficientemente correcta para pôr em prática e, por isso escolhi outra. Outra que não se tinha apresentado como possível até acontecer.
Comecei a caminhar pelo quarto e reparei em todas as histórias que a minha parede conta, em todas as lágrimas que lá estão cravejadas, em todas as pessoas que ali estão eternizadas. Nunca me canso de olhar para a minha parede, cada vez que o faço ela conta-me histórias diferentes, ela é um mundo de oportunidades repleto de imaginação. Ela dita o passado, aviva a memória e impede-me de esquecer aquilo que merece realmente nunca ser esquecido.
Continuei a caminhar pelo quarto, totalmente perdida e alheia nos meus pensamentos, o chão estava demasiado frio ao meu toque, incomodava-me. Sentei-me no gigante que guarda a minha janela, um abismo negro que acolhe o meu corpo num braço cada vez que me deixo lá afundar. Senti uma resposta a usurpar as dúvidas que me dominavam, senti-a rastejar até tomar posse de tudo, senti a certeza a instalar-se e soube que esta era a opção correcta, a escolha que não existia e que tinha criado.
Não precisava nem de me atirar de cabeça nem de me sentar no chão à espera que o tempo se fizesse ouvir e desgastasse tudo o que rodeia - podia simplesmente fechar os olhos e deixar-me guiar pelas histórias que a alma branca que eu ergui me tem para contar até encontrar a solução para o meu problema. Esta era a opção certa, tinha a certeza.
Voltei-me a levantar e retornei à minha caminhada consecutiva de três passos, para a direita - para a esquerda. Os meus pés continuavam a sentir o chão realmente frio - cada vez mais frio até, com o passar do tempo - mas agora não me incomodava realmente. As soluções que começavam a submergir faziam com que aquele gelo insuportável se tornasse num factor secundário, ignorável.
Percebi então, quando o rádio começou a soltar uma melodia conhecida, qual era a resposta - a verdadeira e final.
Thoughts arrive like butterflies, Oh he don't know, so he chases them away - a resposta esteve sempre ali, a minha cegueira e necessidade obscura de a encontrar é que a tornou invisível.

Have I got a little story for you - a minha parede não se tinha movido, sempre ali estivera a contar-me histórias, a história da resposta.
Olhei a gigante do Árctico com mais atenção e li num dos papeis ali colados, rabiscado com a minha letra tão familiar: Diz que não. - E pronto, ali estava ela, a resposta de que eu andava à procura.

2 comentários:

Sensações {fundamentadas, ou não}