Encontro mentiras em toda a parte, para onde quer que olhe existe a marca da sua passagem. Nas ruas, nas casas, nos carros, nas árvores, nos passeios, nas pessoas. Devia incomodar-me muito mais do que incomoda realmente mas, a verdade é que muito sinceramente, não quero saber. Concentro-me em viver na minha verdade, no meio pedacinho de certezas, contento-me em sorver as minhas pausas de cinco minutos, em alimentar as minhas palavras de estimação - quando não estão de greve - e ler, ler este Mundo e o outro, ler Mundos humanos, ler Mundos vampiros, ler todos os Mundos.
Todos mentimos no final de contas e ninguem se incomoda (realmente), por isso, vou continuar a ignorar os registos que alguém escreveu por aí, as cicatrizes da mentira que enfrento todos os dias, vou fazer como todos e fechar os olhos.
Descobri, no entanto, como resultado desta minha pesquisa, que pelo menos uma das coisas que fazemos não é mentira. O sexo é completamente verdadeiro, o sexo expulsa as incertezas simplesmente por estar a acontecer, o sexo é claro.
No sexo a mentira não tem lugar, um não é sempre um não. É que na hora h, meus companheiros, sendo bem feito e completamente satisfatório, ninguém se preocupa em dizer 'não' quando quer dizer 'sim', ninguém incomoda a mentir quando tudo o resto é real. Se não há orgasmo, não há fingimento que se safe, é que não há parceiro que não perceba. Há parceiro que não quer perceber.
Encontro a mentira em toda a parte e por isso, nesta minha pausa de cinco minutos tão sôfrega de tempo e de palavras, decidi escrever sobre as certezas que guardo e afirmar que pouco me importa se ela existe ou não, desde que o mar e o que sou continuem a ser verdadeiros.
E assim estou a ser egoísta, bem sei.
P.S. Se encontrarem alguma parecência com o primeiro paragrafo e uma musica dos Ornatos Violeta, é só porque a letra dessa musica é linda e me é mais do que muito.

mas cada mentira a que se fecha os olhos é como uma facada anstesiada que danifica sem fazer dor. Ao fim de algum tempo cai-se de todas as feridas abertas que nao se notou antes (...)
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