segunda-feira, 20 de abril de 2009

Mais uma de tinto.

-Mais uma do que for desde que tenha álcool.
Dão-lhe um copo pequenino para a mão com um veneno vermelho lá dentro que lhe queima a garganta assim que engole o liquido viscoso. Pousa o na mesa e volta a soltar um pedido quase silencioso:
-Mais uma ronda!
O Homem do balcão pouco se importa com a figura que ele está a fazer e muito menos com o estado em que ele vai ficar. Mexe nas garrafas e entrega-lhe outro copo. Desta vez o veneno é verde mas sabe-lhe igualmente a fogo, queima-o tanto como o primeiro, detrói-o tanto como o primeiro.
Repete o mesmo gesto de à bocado, pousa o copo violentamente e grunhe umas palavras incompreensíveis mas bastante claras aos olhos experientes do empregado.
Mais uma vez, o empregado, o Homem do balcão, atende o seu pedido e continua sem se preocupar minimamente. Afinal, ele já tinha chegado ali naquele estado e se começar a fazer merda a solução é simples - rua!
Ele bebe de novo o conteúdo do terceiro copo de um só trago numa espécie de sede sôfrega tão digna de bêbado necessitado. As forças fogem-lhe, perde totalmente a linha de pensamentos, deixa de sentir as pernas e cai estatelado no chão.

Eu estou a ver mas resolvi não fazer nada. Ele que caia sozinho, já lhe dei água vezes suficientes.

2 comentários:

Sensações {fundamentadas, ou não}