Lembro-me perfeitamente porque é que comecei a fumar. Andava chateada com o mundo - como todos nós andamos nalguma altura entre os 13 e os 19 - e passava a maior parte do meu tempo sozinha. Sozinha, completamente sozinha, para onde quer que as pessoas fossem, para onde quer que os meus amigos fossem, era para onde eu decidia não ir. Era o destino impensável.
Por isso, quando comecei a fumar, era só uma companhia. Detestava estar parada no mesmo sitio sem fazer nada, ali de pé a olhar para o nada, sem falar com ninguém, sem estar à espera de ninguém, sem preposito algum. Se estivesse a fumar, estava ali porque estava a fumar, não me sentia ridícula porque tinha o cigarro bem apertado entre os dedos e porque ninguém ia comentar a figura de parva que estava ali a fazer - como se a esperar que o tempo parasse.
Agora, depois de uns belos e longos meses sempre acompanhada, cheguei à conclusão que, apesar de fazer pessimamente mal a todo o meu organismo, o cigarro é muito melhor companhia do que qualquer outro ser humano. Não preciso de me preocupar com ele, é substituível, não perde tempo a mentir-me (diz-me desde o inicio : Vou matar-te - é certo, todos o conseguimos ver bem escarrapachado na frente ou nas traseiras de qualquer maço), não fala, ouve tudo o que digo, não me critica e está sempre lá.
O cigarro não passa realmente de uma companhia, de um suporte que me impede de sentir ridícula por não estar a fazer nada e, agora, de uma presença fiel e diária que nunca chega atrasado aos nossos encontros rotineiros.
Quando todas as minhas companhias forem como o cigarro, deixo de fumar. Até lá, vou-me contentando com a única que me faz recusar o cilindro e me consegue fazer sorrir.
Quem tem uma melhor amiga tem tudo.
domingo, 26 de abril de 2009
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bem que nao páras de fumar nunca ~
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