De pés descalços, olhos pregados no céu imponente, cabelos caídos de um modo despreocupado e um mero sorriso de espera emuldurado nos lábios. Caminhava por entre esplanadas repletas de gente, jovens e velhos jovens, sorrisos felizes, gargalhadas forçadas e, todas na sua maioria provocadas. Ao lado o mar suava forte, músico de uma melodia desconcertante capaz de levar qualquer mente aberta a penhascos violentos ou a praias de areia branca. Ela não parava, continuava a andar de passo seguro, cuidadosa para não maguar os pés descalços, agora atenta ao mundo vivo que a rodeava. De todos os lados, da esquerda, da direita, à frente, na retaguarda, todos os lados repletos de pessoas tristes, em busca de um encontro, à espera de respostas, felizes na sua infelicidade acumudada, pessoas... pessoas... E todas essas pessoas se pareciam divertir, em conversas interessantes, páteticas, sem assunto, estúpidas, românticas, constrangedoras ou provocantes. Mas riam-se... de copo erguido numa das mãos e a outra ocupada em disparatar sobre o mundo. Riam-se... teriam motivos para rir, ou riam-se apenas por rir, com fé num divertimento que nunca mais chegava e que por nunca chegar era imaginado para tentar surtir o mesmo efeito.
Resgatadas no meio daquela multidão, uma ou duas, três ou quatro, cinco ou seis, no máximo dez, encontravam-se pessoas com vontade de rir, não que vivessem no Paraíso, mas riam-se com a música do mar, com o som das gargalhadas, com o assobiar do vento, não muito procupadas com a bebida numa das mãos e com as conversas que se podiam estar a desenrolar sem interesse. Todas as outras, aos olhos do que ela podia ver, riam-se em submissão daquilo que engeriam, não podendo apreciar a realidade como um momento de preenchimento total sem precisar de complementos. Riam-se proclamando pela Natureza, que lhes dava tudo o que tinham, problemas, dúvidas, alegrias, e enganavam-se eles, complementos, copos e companhias.
E derrepente abri os olhos, não passavam de um inocente sonho, infelizmente fermentado com a verdade.
domingo, 22 de julho de 2007
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"... Cause everything now means more than words could explain ..."
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